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Chapeuzinho Vermelho

Era uma vez uma doce menininha. Todos a chamavam de Chapeuzinho Vermelho, porque ela sempre usava uma capa vermelha que a sua avó havia lhe dado de presente.

Um dia, a mãe de Chapeuzinho Vermelho disse:

– Aqui, filha, pegue esta cesta e leve para sua vovó. Aí dentro tem pão, manteiga, bolo e frutas. Ela está se sentindo doente e espero que isso faça com que ela fique melhor. Não converse com estranhos, não saia do caminho e vá direto para a casa de sua avó.

A avó de Chapeuzinho Vermelho morava há meia hora de distância por dentro da floresta, do lado de fora da aldeia. Então Chapeuzinho Vermelho saiu logo de casa. Assim que ela entrou na floresta, apareceu um lobo por detrás de uma árvore. Ela não se assustou, porque ela não sabia que lobos são perigosos.

– Bom dia, Chapeuzinho Vermelho! – o lobo cumprimentou.

– Bom dia, Senhor Lobo – ela respondeu.

– Para onde você vai?

– Estou indo visitar minha vovó, porque ela não está se sentindo bem.

– O que você tem aí dentro da cesta? – perguntou o lobo.

– Eu tenho pães, manteiga, bolo e frutas para levar para minha vó!

– Excelente! E onde sua vovozinha mora?- perguntou o lobo, e Chapeuzinho Vermelho explicou exatamente o local da casa da sua avó.

Eles andaram juntos por um tempo. Aí, o lobo falou:

– Olha que lindas flores que temos aqui! Por que você não pega algumas delas para sua vovó?

Ela olhou em volta e viu todas aquelas flores lindas. Chapeuzinho Vermelho achou que sua vovó ficaria muito feliz em ganhar flores e, mesmo depois do conselho de sua mãe, saiu do caminho para colhê-las.

Chapeuzinho Vermelho foi para dentro da floresta densa para colher as flores, e o lobo foi direto para a casa da vovó. Ele bateu na porta e escutou uma voz lá de dentro da casa:

– Quem é?

– Sou eu, Chapeuzinho Vermelho. Eu trouxe pão, manteiga, bolo e frutas! – disse o lobo, disfarçando a voz.

– Ah, que gentileza! Empurre bem a porta para entrar. Eu não tenho forças para ir aí abrir.

O lobo entrou na casa, foi até a cama da velhinha e a prendeu no armário para comer mais tarde! Aí, ele vestiu as roupas dela e deitou na cama.

Quando Chapeuzinho Vermelho chegou na casa de sua avó, ela percebeu que a porta estava aberta. Ela entrou e foi até o quarto.

Normalmente ela sentia-se muito feliz na casa de sua vovó, mas naquele dia havia algo de estranho.

– Bom dia! – disse Chapeuzinho Vermelho, mas ninguém respondeu.

A vovó estava com uma aparência estranha.

– Nossa, Vó, que orelhas grandes você tem! – exclamou Chapeuzinho Vermelho.

– É para te escutar melhor! – o lobo respondeu, disfarçando a voz.

– Puxa, Vovó, que olhos grandes você tem!

– É para te ver melhor!

– Vovó, que mãos enormes você tem!

– É para te tocar melhor! – o lobo disse.

– Uau, Vovó, que boca enorme você tem! – exclamou Chapeuzinho Vermelho.

– É para te comer melhor!!!

O lobo gritou, pulou fora da cama e começou a perseguir a Chapeuzinho Vermelho pela floresta!

Um caçador que estava passando por perto, escutou a gritaria e correu para ajudar. Assim que viu que era o lobo ele pensou:

– Finalmente encontrei!

O caçador estava atrás desse lobo há muito tempo!

Ele conseguiu alcançar o lobo e o capturou salvando a Chapeuzinho que disse:

– Obrigada! Precisamos agora descobrir onde está minha avozinha!

Ele então obrigou o lobo a contar onde tinha escondido e foram salvar a pobre velhinha. Depois disso mandou o lobo para um lugar onde nunca mais pudesse perseguir nem comer ninguém.

Os três então foram comer o bolo e frutas que a Chapeuzinho tinha levado para a vovó, felizes em saber que o lobo não seria mais um perigo para eles. Depois desse dia ela decidiu nunca mais sair do caminho e escutar com mais atenção o que a sua mãe tem a dizer!

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O mágico de oz

Era uma vez uma menina chamada Doroti. Ela vivia numa fazenda com a tia Ema, tio Henrique e seu cãozinho chamado Totó. Ela passava o tempo todo brincando com ele.

Um dia, houve uma ventania tão forte que a casa da fazenda foi levada pelos ares. Doroti e Totó, que estavam lá dentro, foram carregados para a terra de Oz.

Na terra de Oz havia quatro fadas. Duas eram boas e viviam uma no Norte e outra no Sul. Duas eram más e moravam no Leste e no Oeste. Quando a casa da fazenda caiu no chão, esmagou a Fada Má do Leste e ela morreu.

A boa Fada do Norte agradeceu a Doroti por ter libertado os comilões, que viviam escravizados pela Fada Má do Leste. Depois a Fada ofereceu ajuda a Doroti:

– Só o Mágico de Oz pode ajudar você a sair desta terra. Calce os sapatos encantados, que pertenciam à Fada Má do Leste. Depois siga a estrada de tijolos amarelos até a Cidade das Esmeraldas. Lá mora o Mágico de Oz.

Doroti pôs-se a caminho com Totó. Logo encontrou um Espantalho pendurado num tronco, soltou-o, e ele disse que queria um cérebro para pensar. Então Doroti convidou:

– Venha comigo. O Mágico de Oz lhe dará um.

Mais adiante, os três encontraram um Lenhador de Lata, que desejava possuir um coração:

– Venha conosco! – convidou Doroti – O Mágico de Oz lhe dará um!

Logo depois, os quatro encontraram um Leão. Os cinco amigos viajaram muitos dias pela estrada de tijolos amarelos. Depois de várias aventuras, chegaram ao castelo do Mágico de Oz. Um de cada vez foi levado à sala do trono para falar com ele.

O Leão pediu ao mágico que lhe desse coragem. O Lenhador de Lata queria um coração. O Espantalho pediu um cérebro e Doroti queria voltar para a fazenda de seus tios. O Mágico de Oz prometeu atender ao pedido de todos, se eles matassem a Fada Má do Oeste.

A menina foi atrás da Fada Má, que depois de tentar por varias vezes amedrontá-los. Doroti pegou um balde de água e jogou em cima dela:

– Socorro! – gritou a bruxa – Estou encolhendo!

Era verdade. A água fazia a bruxa diminuir de tamanho. A bruxa foi ficando cada vez menor, até que sumiu.

A Boa Fada do Sul disse a Doroti que ela podia voar com os sapatinhos encantados que a Boa Fada do Norte lhe dera Doroti despediu-se dos amigos e voou para fazenda de seus tios, levando o Totó nos braços.

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Festa no céu

Entre os bichos da floresta, espalhou-se a notícia de que haveria uma festa no Céu.

Porém, só foram convidados os animais que voam. As aves ficaram animadíssimas com a notícia, começaram a falar da festa por todos os cantos da floresta. Aproveitavam para provocar inveja nos outros animais, que não podiam voar.

Imaginem quem foi dizer que ia também à festa… O sapo!

Logo ele, pesadão, não aguentava nem correr, quem diria voar até a tal festa!

Durante muitos dias, o pobre sapinho, virou motivo de gozação de toda a floresta. Depois de muito pensar, o sapo formulou um plano. Horas antes da festa, procurou o urubu. Conversaram muito, e se divertiram com as piadas que o sapo contava.

Já quase de noite, o sapo se despediu do amigo:

– Bom, meu caro urubu, vou indo, afinal, mais tarde preciso estar bem disposto e animado para curtir a festa.

– Você vai mesmo?

– Se vou? Até lá, sem falta!

Porém, em vez de sair, o sapo deu uma volta, pulou a janela da casa do urubu e vendo a viola dele em cima da cama, resolveu esconder-se dentro dela.

Chegada a hora da festa, o urubu pegou a sua viola, amarrou-a em seu pescoço e voou em direção ao céu, prru-rru…

Ao chegar ao céu, o urubu deixou sua viola num canto e foi procurar as outras aves. O sapo aproveitou para espiar e, vendo que estava sozinho, deu um pulo e saltou da viola, todo contente.

As aves ficaram muito surpresas ao verem o sapo dançando e pulando no céu. Todos queriam saber como ele havia chegado lá, mas o sapo esquivando-se mudava de conversa e ia se divertir.

Estava quase amanhecendo, quando o sapo resolveu que era hora de se preparar para a “carona” com o urubu. Saiu sem que ninguém percebesse, e entrou na viola do urubu, que estava encostada num cantinho do salão. O urubu pegou a sua viola e voou em direção à floresta, rru-rru-rru.

Voava tranquilo, quando no meio do caminho sentiu algo se mexer dentro da viola. Espiou dentro do instrumento e avistou o sapo dormindo, todo encolhido, parecia uma bola.

– Ah! Que sapo folgado! Foi assim que você foi à festa no Céu? Sem pedir, sem avisar e ainda me fez de bobo!

E lá do alto, ele virou sua viola até que o sapo despencou direto para o chão. A queda foi impressionante.

O sapo caiu em cima das pedras do leito de um rio, e mais impressionante ainda foi que ele não morreu.

Mas nas suas costas ficou a marca da queda: uma porção de remendos!

É por isso que os sapos possuem uns desenhos estranhos nas costas…

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O pequeno príncipe e a rosa

Após um longo e sábio caminhar, o Pequeno Príncipe, dispôs-se a descansar…

E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia – disse a raposa.
– Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, que, olhando a sua volta, nada viu.
– Eu estou aqui, debaixo da macieira…
– Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita…
– Sou uma raposa – disse a raposa.
– Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa – disse o principezinho.

Mas, após refletir, acrescentou:
– Que quer dizer “cativar”?
– Tu não és daqui – disse a raposa – Que procuras?
– Procuro os homens – disse o pequeno príncipe – Que quer dizer cativar?
– Os homens têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
– Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É algo quase sempre esquecido – disse a raposa – Significa “criar laços”…
– Criar laços?

– Exatamente. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…

Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.

Os outros me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. E então será maravilhoso quando me cativar. O trigo, que é dourado, fará com que me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e observou muito tempo o príncipe:

– Por favor, cativa-me! disse ela.
– Eu até gostaria, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.Se tu queres um amigo, cativa-me!

– Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.

– É preciso ser paciente – respondeu a raposa – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas cada dia, te sentarás um pouco mais perto…

No dia seguinte o príncipe voltou.

– Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa – Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz! Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!

Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

– Ah! Eu vou chorar.

– A culpa é tua – disse o principezinho – Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…

– Quis – disse a raposa.

– Então, não terás ganho nada!

– Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

– Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas e ao voltar dirigiu-se à raposa:

– Adeus… – disse ele.

– Adeus! – disse a raposa – Eis aqui o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

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Os sete cabritinhos

Era uma vez uma velha cabra que tinha sete cabritinhos, e os amava como as mães amam os filhos. Certo dia, ela teve de ir à floresta em busca de alimento e recomendou aos sete cabritinhos:

– Tenho de ir à floresta, meus queridinhos, e vocês devem tomar muito cuidado com o lobo, que é muito mal e perigoso. Se ele entrar aqui em casa, devorará vocês todos, inteirinhos, da cabeça aos pés. Ele muitas vezes se disfarça, mas é fácil reconhecê-lo logo, por sua voz áspera e seus pés muito pretos.

– Nós tomaremos o maior cuidado, mamãezinha – prometeram os cabritos. – Pode ir tranqüila.

A cabra se pôs a caminho, menos preocupada. Não tardou muito e alguém bateu na porta de entrada da casa e gritou:

– Abram, meus filhos. Sua mãe voltou, trazendo coisas muito gostosas para vocês.Os cabritinhos, porém, perceberam que quem chegara fora o lobo: a voz era áspera, muito desagradável.

– Não abrimos, não! – gritaram os cabritinhos – Você não é a nossa mãe! Ela tem uma voz doce, suave, e não essa sua voz feia e áspera.

O lobo foi então a um armazém e comprou uma boa quantidade de giz, que comeu, para afinar a voz. E, feito isso, tornou a ir bater na casa de Dona Cabra, gritando:

– Abram, meus filhos. Sua mãe voltou, trazendo umas coisas muito gostosas para vocês.Os seus pés, porém, apareciam debaixo da porta, e os cabritinhos viram os seus pés pretos e gritaram:

– Não vamos abrir a porta! Nossa mãe não tem os pés pretos como os seus. Você é o lobo!

O lobo então foi a uma padaria e pediu ao padeiro:

– Esfregue um pouco de massa de pão nos meus pés, que estão machucados. Passe também um pouco de farinha de trigo também, ouvi dizer que faz bem para os pés.

O padeiro atendeu ao seu pedido e ele voltou à casa de Dona Cabra. Já bateu na porta, gritando:

– Abram a porta, meus filhos. Sua mãe voltou para casa, trazendo para vocês tudo o que havia de bom na floresta.

– Então, mostre primeiro seus pés!

E os cabritinhos, vendo que eles eram brancos, acreditaram que ele estava dizendo a verdade, e abriram a porta. E quem apareceu foi o lobo! Os pobres cabritinhos ficaram aterrorizados e trataram de se esconder.

O primeiro debaixo da mesa, o segundo debaixo da cama, o terceiro no forno, o quarto na cozinha, o quinto no armário, o sexto debaixo da tina de lavar roupa, o sétimo na caixa do relógio.

Não adiantou. O lobo descobriu todos eles e foi colocando um a um em seu saco para poder devorá-los depois. Só sobrou cabritinho caçula, que estava na caixa do relógio e conseguiu escapar.

Depois de tanta correria o lobo acabou ficando muito cansado e sentiu sono. Acabou adormecendo debaixo de uma árvore. Pouco depois, a cabra voltou para casa.

Coitada! Em que estado a encontrou! A porta da rua escancarada, a mesa, as cadeiras e os bancos de pernas para o ar, a tina de lavar roupa espedaçada, as colchas e os lençóis atirados ao chão.

Dona Cabra procurou os filhos, mas não os encontrou em lugar algum. Chamou-os, um a um, pelo nome, em voz bem alta, mas em vão. Afinal ouviu a voz do caçula, uma voz muito fraquinha, dizendo:

– Estou na caixa do relógio, mamãezinha!

Ela o tirou de lá, e o cabritinho contou-lhe o que acontecera, que o lobo capturou todos os outros. É fácil imaginar o desespero da pobre cabra. Sem saber o que fazer, desorientada, ela saiu de casa, acompanhada pelo único filho que lhe restava, e, um pouco adiante, viu o lobo dormindo embaixo de uma árvore, e roncando tão alto, tão forte, que até os galhos da árvore se balançavam.

E, ao olhá-lo, ela notou que havia um saco enorme e que alguma coisa estava se movendo dentro dele.

– Meu filhinhos! – disse ela.

Mandou, então, o caçula correr até sua casa, buscar uma tesoura, uma agulha e linha. O cabritinho foi e voltou rapidamente.

Sem perder um minuto, a cabra cortou o saco e, em pouco tempo, os seis cabritinhos estavam livres.

Vendo salvos todos os seus filhos, disse D. Cabra:

– Agora, tragam depressa pedras bem grandes, para enchermos este saco enquanto ele ainda estiver dormindo. Assim ele nem vai perceber!

Os sete cabritinhos trouxeram as pedras e as enfiaram dentro do saco com muito cuidado, sem acordar o lobo. A mãe, sem perda de tempo, costurou o saco e tratou de fugir o mais depressa que pôde.

Quando o lobo acordou e levantou-se e sentiu muita sede, tratou de ir a um poço beber água levando o saco com o que ele pensava ser os cabritinhos.

E quando chegou ao poço, ele acabou escorregando para dentro dele! O saco estava bem mais pesado do que ele esperava e acabou desequilibrando-o!

Dizem que até hoje ele implora para alguém ajudá-lo a sair de lá!

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Peter Pan

Peter Pan vive junto com sua fadinha chamada Sininho lá na Terra do Nunca.

Uma vez, Peter saiu da Terra do Nunca para voar por aí e começou a escutar uma voz doce, a voz de uma menina que, contava uma história. Ele curioso, foi até a janela dessa menina e se apaixonou a primeira vista!

A menina linda se chamava Wendy, tinha cabelos castanho claro e olhos azuis. Ela tinha dois irmãos: João e Miguel. Peter se apresentou a eles e os convidou para dar uma volta. Os irmãos de Wendy não queriam ir, mas a irmã estava tão fascinada com aquilo tudo que foram para acompanhá-la.

E eles foram voando de mãos dadas com Peter Pan e encantados com aquilo tudo que estava acontecendo e não acreditando que eles estavam voando. Já para Peter, isso era a coisa mais normal do mundo.

Wendy e seus irmãos conheceram a aldeia dos índios, avistaram o barco pirata e viram os meninos perdidos. Tudo isso de lá de cima.

De repente, Capitão Gancho avista Peter Pan e seus novos amigos e manda canhões em direção a eles. Wendy neste momento quase foi atingida e se desequilibra e ameaça cair. Porém, Peter a segura, fazendo com que os dois se apaixonem cada vez mais.

Peter, Wendy e seus irmãos conseguem fugir e vão se esconder na casa dos meninos perdidos. Eles moravam dentro de uma árvore oca e usavam roupas todas rasgadas. Se encantaram com Wendy e seu cheiro. Wendy vendo que eles nunca tinha tido contato com uma menina, começou a contar lindas histórias para eles.

Um belo dia, Capitão Gancho raptou a Princesa dos Índios. Todos se mobilizaram e Peter Pan a salvou do Capitão Gancho. O tempo passou e não satisfeito, o Capitão armou o plano de raptar desta vez os meninos perdidos e conseguiu! Os raptou e os levou para seu navio. Lá, ele os jogaria no mar para serem engolidos pelo crocodilo Tic Tac. Mas quando o pior iria acontecer, Peter Pan aparece e salva seus amigos. Ele luta valentemente contra o Capitão Gancho e vence a batalha.

Wendy então pede para voltar com seus irmãos para sua casa, pois seus pais deveriam estar preocupados. Peter Pan então os leva. Ao chegar na casa de Wendy, seus irmãos entram e ela fica para dar o último adeus a Peter Pan. Eles conversam e ela pergunta se ele não quer ficar ali com eles. Ele diz que não, pois a Terra do Nunca é a sua casa e lá ele não cresceria e poderia viver para sempre como criança. Ele se despede de Wendy e voa.

Ela o observa pela janela, o contemplando e pede bem baixinho que ele nunca deixe de olhar por ela.

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A lebre e a tartaruga

Era uma vez uma lebre que vivia no bosque e a quem todos chamavam de Rosita. Ela era muito vaidosa. De todos os animais do bosque, ela se achava a mais bonita, a mais esperta e a mais rápida. Além disso, ninguém tinha melhor faro para achar comida do que ela!

Neste mesmo bosque vivia uma tartaruga, chamada D. Lentidão, que todas as manhãs passeava vagarosamente junto à margem do rio. Como a tartaruga, a lebre Rosita também se dirigia todas as manhãs para o rio em busca do pequeno almoço, encontrando pelo caminho a D. Lentidão.

Além de ser muito convencida, a lebre Rosita também gostava muito de zombar dos outros, e assim que via a tartaruga, começava logo a rir-se dela, chamando-lhe de velha, lenta e outros nomes muito piores!

Numa tarde quente de verão em que os animais do bosque estavam todos reunidos debaixo da sombra de uma grande árvore, a lebre resolveu zombar de D. Lentidão mais uma vez e desafiou-a para uma corrida. Os animais do bosque ao ouvir isso começaram a rir. A raposa Cecília, que muito gostava destas confusões, afirmou que a tartaruga até poderia ganhar da lebre. Tudo dependia da vantagem que se desse à D. Lentidão na corrida e, sendo assim, até apostaria nela.

Todos os animais do bosque começaram a falar ao mesmo tempo sobre a corrida e discutiam calorosamente qual a possibilidade da tartaruga D. Lentidão poder ganhar à lebre Rosita.

A lebre ao ouvir os comentários, ficou aborrecida pois achava impossível alguém duvidar das suas capacidades de corredora.

Já que a tartaruga aceitou o desafio, decidiu-se então qual o melhor dia para a corrida e quais as condições, ficando a raposa Cecília responsável por organizar tudo. Ficou decidido que a chegada seria junto ao rio, onde todos os animais estariam à espera.

No dia e hora da corrida a lebre e a tartaruga se encontravam nos seus lugares: a lebre Rosita muito alegre e confiante da sua vitória e, a D. Lentidão com os seus olhos pequeninos e tristes, parecendo mais pesada do que nunca.

Enquanto a lebre começava a corrida na linha de partida, junto da árvore do melro Fortunato, a tartaruga começava mais a frente, quase a meio do caminho, em direção ao rio.

A raposa Cecília deu o sinal de partida e a tartaruga, sem perder tempo, começou logo a andar pela encosta abaixo. Mas Rosita continuava parada, enquanto via D. Lentidão vagarosamente percorrendo o caminho, e gritava: “Não corra tanto tartaruga velha que pode cair e se machucar!”.

A lebre decidiu então fazer uma pequena sesta junto à árvore do melro Fortunato, pois a tartaruga ia de tal maneira devagar que a lebre, em duas passadas, a alcançaria rapidamente e conseguiria ganhar a corrida.

Pouco a pouco, D. Lentidão lá ia fazendo o seu percurso em direção à linha de chegada, já muito cansada mas sem desistir. Alguns animais da floresta acompanhavam a tartaruga, animando-a com palavras de encorajamento.

Já estava a D. Lentidão quase a chegar à meta quando a lebre Rosita acordou de um salto só, viu a tartaruga lá longe e correu monte abaixo como louca. O melro Fortunato só gritava: ”Cuidado Rosita, assim vai cair!”.

Mas Rosita não ouvia o melro e continuava em direção à chegada convencida da sua vitória.

Os animais do bosque estavam cada vez mais animados e gritavam uns pela tartaruga, outros pela lebre, mas com a aproximação rápida da lebre, já poucos duvidavam da sorte da tartaruga.

Foi então, muito perto do fim que a D. Lentidão tropeçou numa pedra, deu uma cambalhota e começou a rolar estrada abaixo!

Sem se aperceberem bem do que tinha acontecido, os animais do bosque viram D. Lentidão atravessar a linha de chegada rolando! Era incrível! A tartaruga tinha ganho a corrida perante o olhar espantado da lebre!

Todos deram vivas à tartaruga, levando-a nos ombros enquanto a convencida da lebre Rosita fugia para a sua toca, de orelhas baixas e muito envergonhada.

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O rei sapo

Era uma vez um rei cujas filhas eram todas belas. Mas havia uma delas que o que tinha de linda, tinha de mal agradecida. E o rei sabia disso.

Perto do castelo do rei havia um bosque e, debaixo de uma grande árvore, havia um poço. Quando fazia muito calor, a filha do rei saía para o bosque e sentava-se à beira dele e vez por outra, pegava uma bola dourada e ficava passando o tempo jogando a bola para cima e agarrando novamente.

Mas um dia a bola dourada passou direto pelas mãos dela, bateu no chão e rolou para dentro d’água. A princesa foi seguindo a bola com os olhos até que não conseguiu mais enxergá-la, pois o poço era muito fundo. Então começou a chorar já que a bola era um presente do rei. Chorava cada vez mais alto, sem conseguir parar. Enquanto se lamentava, ela ouviu uma voz que dizia:

— O que foi que te aconteceu, princesa? – Ela olhou em volta, procurando de onde vinha aquela voz, e viu, então, um sapo com sua grande e feia cabeça para fora da água.

— Ah, é você? — disse ela. — Estou chorando por causa da minha bola de ouro que caiu no fundo do poço.

— Não precisa chorar. — respondeu o sapo. — Eu posso te ajudar. Mas pode me fazer um favor se eu conseguir pegar a bola?

— O que quiser, amigo sapo — disse ela. — Meus vestidos, minhas pérolas, minhas pedras preciosas e até a coroa de ouro que estou usando.

O sapo respondeu:

— Teus vestidos, tuas pérolas, tuas pedras preciosas e tua coroa de ouro eu não quero. Mas se aceitar gostar de mim, para eu ser teu amigo e companheiro, e me deixar sentar ao teu lado à mesa, comer com você e passar uma noite de descanso no seu quarto, se me prometer isso, eu descerei para o fundo do poço e te trarei de volta a bola dourada.

— Ah, sim — disse ela. — Eu prometo o que quiser, mas pegue de volta a minha bola!

Aí, ela pensou consigo mesma: “Que bobagem! Ele vive dentro d’água com outros sapos, coaxando, nunca que vai ser companheiro de um ser humano.”

Quando o sapo recebeu a promessa, mergulhou de cabeça, desceu ao fundo e voltou com a bola na boca. A princesinha apanhou o presente do rei saiu pulando.

— Espera, espera! — gritou o sapo. — Não vai me levar com você? Eu não consigo correr tanto!

Mas a princesa não lhe deu atenção, apressou-se para casa e logo esqueceu o pobre sapo, que tinha de descer de volta ao seu poço.

No dia seguinte, quando ela, com o rei e todos os cortesãos, sentada à mesa, jantavam, eis que alguma coisa — ploque, ploque, ploque — veio se arrastando, subindo pela escadaria de mármore.

Quando chegou em cima, bateu na porta e gritou:

— Ei princesa, abre para mim!

A princesinha correu para ver quem estava lá fora. Mas quando abriu a porta e viu o sapo ali, bateu a porta depressa e sentou-se de volta à mesa, sentindo medo. O rei percebeu que o coração da filha batia forte e disse:

— Minha filha, de que tens medo? Será que algum gigante está à porta e quer te levar?

— Oh, não — respondeu ela. — Não é um gigante, mas um sapo esquisito.

— E o que esse sapo quer com você?

— Ah, meu pai querido, ontem eu estava sentada lá no poço brincando e a bola dourada que o senhor me deu e ela caiu na água. E porque eu chorava muito, o sapo foi buscá-la para mim. Em troca, eu prometi que me faria companhia hoje e descansaria em meu quarto. Mas eu pensava que ele nunca poderia sair da água. E agora ele está lá na porta e quer entrar aqui.

Enquanto isso, lá fora, o sapo continuava batendo e pedindo para entrar. Então, o rei disse:

— O que a gente promete, minha filha, precisamos cumprir sempre. Vá abrir a porta para ele!

Ela abriu a porta e o sapo entrou pulando até a sua cadeira. Sentou-se à mesa e então disse:

— Podemos comer juntos?

A princesa ficou em dúvida mas o rei lembrou-a de sua promessa. Depois de comerem, o sapo pediu para ela o levar para o quarto descansar como havia prometido:

— Ah não! – respondeu a princesa – Aí já é demais!

— Não seja mal agradecida, filha. Além do mais, você prometeu à este sapo. – disse o rei.

Eles então foram para o quarto para descansar e passar a noite.

Acabaram conversando muito, sobre diversos assuntos e a princesa começou a achar que o sapo nem era tão esquisito mais. Na verdade até chegou a esquecer que estava conversando com um sapo.

Conversaram tanto que acabaram adormecendo e no dia seguinte a princesa teve uma grande supresa. Aquele sapo se transformou em um lindo príncipe!

Ele contou à princesa que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa e que só poderia ser libertado por uma princesa que o acolhesse e o enxergasse além do sapo que ele era.

Naquela manhã, uma carruagem com seis cavalos brancos, de cabeças enfeitadas com plumas de avestruz e arreados com correntes de ouro chegaram no castelo do rei. Era a comitiva que já sabia que o feitiço foi quebrado e veio buscar o príncipe.

Ele pediu a mão da princesa em casamento para o rei que, claro, concedeu:

— Espero que tenha entendido agora que devemos sempre cumprir nossas promessas, minha filha!

E se foram para o reino do príncipe, onde foram muito felizes!

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Os 101 dálmatas

Era uma vez um dálmata chamado Pongo que vivia com um jovem músico, desarrumado e sonhador. Pongo tomava bem conta do seu amo, Roger Radcliff, e levava-o todos os dias a apanhar ar no parque. Naquela tarde, o calorzinho da Primavera encheu Pongo de melancolia:

– Somos felizes juntos pensava – contudo, em certos dias, sinto-me cheio de viver nesta casa em desordem com um dono tonto, sempre mergulhado no seu trabalho…

De repente, levantando o nariz, avista, ao longe, uma linda jovem que se passeia na companhia duma encantadora dálmata.

– Ali está o que nos falta! – imaginava Pongo – Companheiras perfeitas!

Puxou a trela e contorceu-se, mas Roger, sempre na lua, não viu nada.

– Bolas! – resmungou Pongo. – Agora desapareceram…

Lançou-se pela ponte de madeira. Meu Deus! A jovem e a cadela, que estavam no relvado, não se assemelhavam nada às que Pongo procurava! Percorreu as alamedas do parque, com o coração a bater, cheirando cada erva…

– Mas para onde foram elas?

Tornou a mudar de direção, puxando sempre o pobre do Roger. Este, por seu lado, não percebia o ímpeto do seu cão, que costumava passear tranquilamente. De súbito, perto do ribeiro, Pongo deteve-se, de repente, e Roger quase caiu por cima dele: estavam lá.

– Desta vez não as posso deixar fugir – disse o dálmata – Tenho de agir e depressa.

Precipitou-se em direção à jovem e pôs-se a girar freneticamente à sua volta. Enrolados na trela, completamente atordoados, Roger e a jovem, furiosos, num instante se viram no chão. A dálmata foi buscar o chapéu da dona e, saindo da água, passou desdenhosa e altiva junto de Pongo. Não parecia apreciar, de modo algum, a sua aparência! A jovem olhou para Perdita, que era o nome da cadela, e não pôde deixar de rir, vendo a sua fúria.

Roger, ainda confuso, ajudou-a a levantar-se e, vendo-a tão alegre, também desatou a rir. Ambos encontraram depressa o bom humor: Perdita não queria nada com Pongo mas, contudo, instalava-se já entre eles, uma doce cumplicidade… A jovem apresentou-se: chamava-se Anita. Os dias que se seguiram foram deliciosos. Todas as tardes, Roger encontrava Anita no parque e Pongo brincava com Perdita. O que tinha de acontecer aconteceu. Roger casou com Anita e os dois dálmatas nunca mais se separaram. Em breve o ventre de Perdita começou a ficar redondinho e, uma bela manhã, Nani, a gentil cozinheira, descobriu uns adoráveis cãezinhos bem encostados à sua mama. Correu a mostrar um deles a Roger e Anita.

– Vejam como é tão querido! E há quinze. De súbito, a campainha tocou…

Sem largar o precioso fardo, Nani precipitou-se para a porta de entrada. Mal a abriu, abateu-se sobre ela uma tonelada de peles. Uma abominável e vil mulher esganiçou-se sobre o nariz da pobre cozinheira. Era Cruela do Inferno, uma amiga de infância de Anita. De voz aguda, berrava dobrando-se sobre o cãozito:

– Ah! Já nasceram? E ninguém me avisou? Quantos são? Mas porque é que são brancos?

– Acabaram de nascer – respondeu friamente Nani, deitando-lhe um olhar de desprezo – As manchas vão aparecer mais tarde”. Roger e Anita chegaram nesse momento.

– Minha querida Anita – vociferou Cruela – vejo que cheguei no momento certo. Os cãezinhos nasceram, finalmente! Compro-te a ninhada toda.

– Nem pense nisso! – interceptou Roger, secamente. – Estes cãezinhos não estão à venda.

– Não seja ridículo, meu pobre amigo – retomou Cruela. – Mal têm para viver, quanto mais para alimentar todas estas bocas… Quanto? Aceito o vosso preço.

Roger encolerizou-se:

– Saia desta casa. Não levará os cães!

Vexada, Cruela foi-se embora, gritando

– É o que vamos ver!…

Depois, desapareceu batendo ruidosamente com a porta:

– Hei-de tê-los! – fulminava ela, interiormente. – Penso que acabo de ter uma excelente ideia…

Alguns dias mais tarde, ao cair da noite, dois homens suspeitos tocaram à porta de Roger e Anita. Estes acabavam de sair com Perdita e Pongo.

– Quem é? – perguntou Nani, entreabrindo a porta.

– É da companhia de electricidade. Para verificar a instalação eléctrica.

Dizendo isto, os dois homens, Jasper, o grande e magro, e Horácio, o pequeno e gordo, enfiaram-se na casa apesar dos protestos de Nani, já desconfiada:

– Não pedimos nada; façam o favor de sair daqui ou chamo a polícia!

Mas, enquanto a pobre cozinheira perseguia Jasper, que subia ao primeiro andar, Horácio meteu-se na cozinha. Enfiou os cãezinhos no seu grande saco e, num abrir e fechar de olhos, os bandidos já tinham ido embora com a sua colheita, deixando atrás deles Nani, desesperada.

Quando Anita e Roger chegaram, transtornados com o que acabava de se passar, pensaram logo em Cruela:

– Só ela podia organizar um golpe tão malvado!

Perdita e Pongo tornaram-se em pouco tempo nos cães mais infelizes do mundo. Mas Pongo, não era desses que só se lamentam.

– Temos de encontrar os nossos pequenos – disse a Perdita. – Vou lançar um alerta geral.

Saiu para o jardim e começou a ladrar continuamente. Do outro lado da cidade, o coronel, um velho cão reformado, ouviu o pedido de socorro.

– Sargento Tibs – ordenou ele – em sentido! Desapareceu uma ninhada de quinze cães. Por acaso sabe alguma coisa sobre o assunto? Faça-me o seu relatório

– Justamente – respondeu o gato – parece-me que ouvi, a noite passada, latidos vindos do castelo do Inferno…

– O Castelo do Inferno? Mas, mas, maldição. O castelo é a segunda residência dessa abominável Cruela – resmungou o coronel. – Sargento Tibs, temos de nos despachar! Vá lá abaixo imediatamente e veja o que se pode fazer por estes cãezinhos!

– Às suas ordens, Coronel!

De imediato, o corajoso gato correu até ao castelo, conseguiu entrar sem ser visto e começou a procurar. Ouviu barulho atrás duma porta. Eram tiros seguidos de gritos assustadores. Precipitou-se para a divisão e deteve-se na entrada: Confortavelmente instalados dezenas de bebés dálmatas assistiam com fervor a um filme de cowboys.

– Meu Deus! – pensou Tibs. – Mas quantos são eles?

Jasper e Horácio, enfiados nas poltronas, com os dedos dos pés abertos em leque e com enormes sandes na mão, estavam ali, também eles, entretidos com o filme. Ninguém reparou no sargento Tibs, excepto um ou dois cãezitos que o olharam espantados.

– Shiu! – fez o sargento a um deles. – Sabes onde estão os quinze cãezinhos que foram roubados ontem?

– Ali, perto da televisão – respondeu um deles! – Porquê?

– Tenho de os levar aos pais.

Tibs não teve tempo de dizer mais nada. Ouviu-se um barulho terrível e a porta do salão abriu-se bruscamente… A malvada Cruela, mais impetuosa que nunca, fez a sua entrada gritando

– Jasper, Horácio, bando de palermas, acham que vos pago para não fazerem nada? Que esperam para executar as minhas ordens?

– Mas patroa, os cães ainda são muito pequenos. Quase não lhe dão para um casaco…

– Um casaco? Que horror! – pensou Tibs que se escondera por baixo do cadeirão – Um casaco de pele dos cães! Pobres pequenos, tenho que os tirar daqui e depressa!

– Obedeçam! – voltou a dizer a malvada Cruela – Senão ainda se vão arrepender… Volto amanhã e quero o trabalho terminado!

E dito isto deixou ruidosamente o salão.

– Anda daí, – disse Jasper ao seu cúmplice – temos a noite à nossa frente. Vamos primeiro ver o filme.

Aproveitando-se do embrutecimento dos dois homens perante a televisão, o Sargento Tibs aproximou-se dos cãezitos:

– Ei! – murmurou. – Passa a palavra aos outros: Vou ajudar vocês a saírem daqui, mas não façam barulho!

Tibs abriu docemente a porta e, sem o menor ruído, os cãezitos, um a um, recuaram para a saída. O Sargento velou pelo bom andamento das operaçöes, impedindo os atropelos.

– 96, 97, 98, 99 Ufa! Acabou! Ainda há mais?

– Não, não. – respondeu o último cãozito. – Somos mesmo 99.

Quando o filme acabou, Jasper e Horácio levantaram-se molemente para cumprir a sua horrível tarefa… e aperceberam-se que os cãezitos tinham desaparecido. Correram para os apanhar. O Sargento Tibs só teve tempo de empurrar os pequenitos para debaixo da escada, recomendando-lhes silêncio. Furiosos, os dois homens começaram a revistar a casa e foram primeiro aos quartos. O Sargento Tibs saltou, nesse momento: a via estava momentaneamente livre e era preciso aproveitar. Apressou a sua ninhada e, em breve, os 99 cãezinhos já estavam no jardim. Ali, Perdita e Pongo, que o coronel avisara, esperavam os pequenos, desassossegados pela impaciência. Qual não foi a sua surpresa ao verem os 99 bebês dálmatas!

– Depressa, depressa! – aconselhou o Sargento Tibs. Abraçam-se mais tarde. Agora é preciso fugir rapidamente e não vai ser fácil, com toda esta neve!

Começou então uma longa caminhada através dos campos. Como os cãezinhos se cansavam depressa, Pongo e Perdita pegavam neles à vez, mas em breve, também eles estavam tão cansados que logo tomaram uma decisão:

– Há uma quinta relativamente perto daqui. Vamos lá para que os pequenos possam repousar ao abrigo do frio. Amanhã de manhã partiremos de novo.

No dia seguinte, quando Cruela voltou ao castelo, quase morreu de raiva logo que os seus dois cúmplices lhe anunciaram o desaparecimento dos cãezinhos. Ficou numa cólera tão violenta que Jasper e Horácio tremiam como varas verdes.

– Que cambada de cretinos! – vociferou a malvada mulher. – Aconselhoa encontrar os palermas desses cães, senão terão de se haver comigo!

Jasper e Horácio, aterrorizados, foram revistar toda a região. Durante esse tempo, na quinta, enquanto os cãezinhos despertavam e começavam a fazer barulho, Pongo e Perdita procuravam desesperadamente um meio de os levar, discretamente, para casa. Pongo olhou para trás e viu, não longe dali, um grande caminhão de mudanças.

– Era disto que precisávamos – pensou ele. – De certeza que vai para a cidade!

Nesse preciso momento, a carrinha de Jasper e Horácio desviou-se do caminhão e, de imediato, um carro desportivo travou bruscamente, detendo-se a tempo. A cabeça hirsuta de Cruela apareceu à janela e começou a insultar os dois incapazes. Enquanto ela espumava, uma família de rafeiros, o pai, a mãe e pelo menos uma centena de cãezinhos, atravessava a rua e subia, tranquilamente para o caminhão de mudanças.

Pongo e Perdita tinham tido uma excelente ideia: enrolaram-se num bocado de fuligem que havia na granja e desta maneira os 101 dálmatas transformaram-se em 101 rafeiros.

Mas, quando o último dos cachorrinhos saltou para o caminhão e este começou a arrancar, uma gota de água caiu-lhe no focinho limpando-lhe a fuligem. Cruela, que até então os olhava distraidamente, compreendeu logo o disfarce. Mas o caminhão já arrancara..

– Que imbecis vocês são! – gritou Cruela. – Passaram todos por baixo do nosso nariz e vocês ficaram aí plantados, de boca aberta! Dou-vos a última oportunidade: sigam esse caminhão e, desta vez, esses malditos cães não nos podem escapar!

Começou então a perseguição. O caminhão tinha um ligeiro avanço e, ainda por cima, andava mais depressa do que a carrinha dos bandidos. Cruela, vendo que os seus cúmplices não valiam nada, começou, também ela, a perseguir os dálmatas. Meteu-se pela pequena rua cheia de gelo, que descia em ziguezagues na direção da cidade, e, por mais de uma vez, quase se esbarrou ao desfazer a curva. Por fim, aproximou-se das traseiras da carrinha.

– Eles não andam! – rugia ela. – Vou ultrapassá-los; tenho de deter o caminhão!

Aproveitou a melhor altura para os ultrapassar, buzinando o mais que podia. Mas, aparentemente, Horácio e Jasper pareciam não ouvir. Por fim, a rua alargou um pouco com a aproximação de uma ponte. Cruela acelerou brutalmente, mas o carro de desporto derrapou no gelo, e foi projectado para a carrinha que, por sua vez, saiu da rua. Os dois veículos chocaram lá no fundo… Os dálmatas estavam salvos!

O caminhoneiro que transportava as mobílias estava longe de adivinhar que levava passageiros clandestinos! O caminhão entrou por fim nos arredores da cidade. Parou por alguns minutos, devido ao trânsito, e os dálmatas aproveitaram para saltar para a rua. Dois minutos mais tarde estavam em casa. Quando Nani abriu a porta, ficou estupefacta perante a quantidade de rafeiros que se impacientavam, lá fora, ladrando alegremente.

– Somos nós, Nani! – gritaram em coro, Pongo e Perdita. – Estamos um pouco sujos, mas somos nós!

– Meus queridos, meus tesouros, meus amores. Aqui estão com os seus pequenos! Mas… oh meu Deus! De quem são estes pequenos todos?

– Não têm família – explicou Perdita. – Mas deixa-nos entrar, Nani, que nós contamos-te tudo

– Venham depressa. Parece-me que uma boa limpeza não vos vai fazer nada mal! – cantarolou alegremente a velha cozinheira já de vassoura em punho para os sacudir.

Anita e Roger, loucos de alegria por encontrarem os seus dálmatas, não repararam logo no número impressionante de cãezinhos que corriam pela casa. Anita, que viu primeiro, espantou-se:

– Mas não estou a sonhar! Quantos são, afinal?

– 99 ao todo! – respondeu Nani acabando a limpeza.

Perdita contou a história toda e, comovida, Anita quis logo adoptar os cães que não tinham família.

– Peço-te, Roger. Olha para eles. São tão pequenos! Não terás coragem de os pôr na rua, não é?

– Está resolvido – respondeu Roger – Ficamos com eles!

Enquanto Nani, Anita e Perdita se ocupavam a alimentar toda a ninhada, Roger e Pongo começaram a dançar cheios de alegria por se encontrarem. Já tarde, na casa em festa, ouviu-se um homem que cantava com toda a força… e um dálmata que o acompanhava com latidos de alegria.

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A Bela Adormecida

Era uma vez, há muito tempo, um rei e uma rainha jovens, poderosos e ricos, mas pouco felizes, porque não tinham concretizado maior sonho deles: terem filhos.

— Se pudéssemos ter um filho! — suspirava o rei.

— E se Deus quisesse, que nascesse uma menina! —animava-se a rainha.

— E por que não gêmeos? — acrescentava o rei.

Mas os filhos não chegavam, e o casal real ficava cada vez mais triste. Não se alegravam nem com os bailes da corte, nem com as caçadas, nem com os gracejos dos bufões, e em todo o castelo reinava uma grande melancolia.

Mas, numa tarde de verão, a rainha foi banhar-se no riacho que passava no fundo do parque real. E, de repente, pulou para fora da água uma rãzinha.

— Majestade, não fique triste, o seu desejo se realizará logo: Antes que passe um ano a senhora dará à luz uma menina.

E a profecia da rã se concretizou, e meses depois a rainha deu a luz a uma linda menina.

O rei, que estava tão feliz, deu uma grande festa de batizado para a pequena princesa que se chamava Aurora.

Convidou uma multidão de súditos: parentes, amigos, nobres do reino e, como convidadas de honra, as treze fadas que viviam nos confins do reino. Mas, quando os mensageiros iam saindo com os convites, o camareiro-mor correu até o rei, preocupadíssimo.

— Majestade, as fadas são treze, e nós só temos doze pratos de ouro. O que faremos? A fada que tiver de comer no prato de prata, como os outros convidados, poderá se ofender. E uma fada ofendida…

O rei refletiu longamente e decidiu:

— Não convidaremos a décima terceira fada — disse, resoluto. — Talvez nem saiba que nasceu a nossa filha e que daremos uma festa. Assim, não teremos complicações. Partiram somente doze mensageiros, com convites para doze fadas, conforme o rei resolvera.

No dia da festa, cada uma das fadas chegou perto do berço em que dormia a princesa Aurora e ofereceu à recém-nascida um presente maravilhoso.

— Será a mais bela moça do reino — disse a primeira fada, debruçando-se sobre o berço.

— E a de caráter mais justo — acrescentou a segunda.

— Terá riquezas a perder de vista — proclamou a terceira.

— Ninguém terá o coração mais caridoso que o seu — afirmou a quarta.

— A sua inteligência brilhará como um sol — comentou a quinta.

Onze fadas já tinham passado em frente ao berço e dado a pequena princesa um dom; faltava somente uma (entretida em tirar uma mancha do vestido, no qual um garçom desajeitado tinha virado uma taça de sorvete) quando chegou a décima terceira, aquela que não tinha sido convidada por falta de pratos de ouro.

Estava com a expressão muito sombria e ameaçadora, terrivelmente ofendida por ter sido excluída. Lançou um olhar maldoso para a princesa Aurora, que dormia tranqüila, e disse: — Aos quinze anos a princesa vai se ferir com o fuso de uma roca e morrerá.

E foi embora, deixando um silêncio desanimador e os pais desesperados.

Então aproximou-se a décima segunda fada, que devia ainda oferecer seu presente.

— Não posso cancelar a maldição que agora atingiu a princesa. Tenho poderes só para modificá-la um pouco. Por isso, Aurora não morrerá; dormirá por cem anos, até a chegada de um príncipe que a acordará com um beijo.

Passados os primeiros momentos de espanto e temor, o rei, decidiu tomar providências, mandou queimar todas as rocas do reino. E, daquele dia em diante, ninguém mais fiava, nem linho, nem algodão, nem lã. Ninguém além da torre do castelo.

Aurora crescia, e os presentes das fadas, apesar da maldição, estavam dando resultados. Era bonita, boa, gentil e caridosa, os súditos a adoravam.

No dia em que completou quinze anos, o rei e a rainha estavam ausentes, ocupados numa partida de caça. Talvez, quem sabe, em todo esse tempo tivessem até esquecido a profecia da fada malvada.

A princesa Aurora, porém, estava se aborrecendo por estar sozinha e começou a andar pelas salas do castelo. Chegando perto de um portãozinho de ferro que dava acesso à parte de cima de uma velha torre, abriu-o, subiu a longa escada e chegou, enfim, ao quartinho.

Ao lado da janela estava uma velhinha de cabelos brancos, fiando com o fuso uma meada de linho. A garota olhou, maravilhada. Nunca tinha visto um fuso.

— Bom dia, vovozinha.

— Bom dia a você, linda garota.

— O que está fazendo? Que instrumento é esse?

Sem levantar os olhos do seu trabalho, a velhinha respondeu com ar bonachão:

— Não está vendo? Estou fiando!

A princesa, fascinada, olhava o fuso que girava rapidamente entre os dedos da velhinha.

— Parece mesmo divertido esse estranho pedaço de madeira que gira assim rápido. Posso experimentá-lo também? Sem esperar resposta, pegou o fuso. E, naquele instante, cumpriu-se o feitiço. Aurora furou o dedo e sentiu um grande sono. Deu tempo apenas para deitar-se na cama que havia no aposento, e seus olhos se fecharam.

Na mesma hora, aquele sono estranho se difundiu por todo o palácio.
Adormeceram no trono o rei e a rainha, recém-chegados da partida de caça.
Adormeceram os cavalos na estrebaria, as galinhas no galinheiro, os cães no pátio e os pássaros no telhado.

Adormeceu o cozinheiro que assava a carne e o servente que lavava as louças; adormeceram os cavaleiros com as espadas na mão e as damas que enrolavam seus cabelos.

Também o fogo que ardia nos braseiros e nas lareiras parou de queimar, parou também o vento que assobiava na floresta. Nada e ninguém se mexia no palácio, mergulhado em profundo silêncio.

Em volta do castelo surgiu rapidamente uma extensa mata. Tão extensa que, após alguns anos, o castelo ficou oculto.

Nem os muros apareciam, nem a ponte levadiça, nem as torres, nem a bandeira hasteada que pendia na torre mais alta. Nas aldeias vizinhas, passava de pai para filho a história da princesa Aurora, a bela adormecida que descansava, protegida pelo bosque cerrado. A princesa Aurora, a mais bela, a mais doce das princesas, injustamente castigada por um destino cruel.

Alguns cavalheiros, mais audaciosos, tentaram sem êxito chegar ao castelo. A grande barreira de mato e espinheiros, cerrada e impenetrável, parecia animada por vontade própria: os galhos avançavam para cima dos coitados que tentavam passar: seguravam-nos, arranhavam-nos até fazê-los sangrar, e fechavam as mínimas frestas.

Aqueles que tinham sorte conseguiam escapar, voltando em condições lastimáveis, machucados e sangrando. Outros, mais teimosos, sacrificavam a própria vida.

Um dia, chegou nas redondezas um jovem príncipe, bonito e corajoso. Soube pelo bisavô a história da bela adormecida que, desde muitos anos, tantos jovens a procuravam em vão alcançar.

— Quero tentar também — disse o príncipe aos habitantes de uma aldeia pouco distante do castelo.

Aconselharam-no a não ir. — Ninguém nunca conseguiu!

— Outros jovens, fortes e corajosos como você, falharam…

— Alguns morreram entre os espinheiros…

— Desista!

Muitos foram, os que tentarem desanimá-lo. No dia em que o príncipe decidiu satisfazer a sua vontade se completavam justamente os cem anos da festa do batizado e das predições das fadas. Chegara, finalmente, o dia em que a bela adormecida poderia despertar.

Quando o príncipe se encaminhou para o castelo viu que, no lugar das árvores e galhos cheios de espinhos, se estendiam aos milhares, bem espessas, enormes carreiras de flores perfumadas. E mais, aquela mata de flores cheirosas se abriu diante dele, como para encorajá-lo a prosseguir; e voltou a se fechar logo, após sua passagem.

O príncipe chegou em frente ao castelo. A ponte elevadiça estava abaixada e dois guardas dormiam ao lado do portão, apoiados nas armas. No pátio havia um grande número de cães, alguns deitados no chão, outros encostados nos cantos; os cavalos que ocupavam as estrebarias dormiam em pé.

Nas grandes salas do castelo reinava um silêncio tão profundo que o príncipe ouvia sua própria respiração, um pouco ofegante, ressoando naquela quietude. A cada passo do príncipe se levantavam nuvens de poeira.
Salões, escadarias, corredores, cozinha… Por toda parte, o mesmo espetáculo: gente que dormia nas mais estranhas posições.

O príncipe perambulou por longo tempo no castelo. Enfim, achou o portãozinho de ferro que levava à torre, subiu a escada e chegou ao quartinho em que dormia A princesa Aurora.

A princesa estava tão bela, com os cabelos soltos, espalhados nos travesseiros, o rosto rosado e risonho. O príncipe ficou deslumbrado. Logo que se recobrou se inclinou e deu-lhe um beijo.

Imediatamente, Aurora despertou, olhou par ao príncipe e sorriu. Todo o reino também despertara naquele instante. Acordou também o cozinheiro que assava a carne; o servente, bocejando, continuou lavando as louças, enquanto as damas da corte voltavam a enrolar seus cabelos.

O fogo das lareiras e dos braseiros subiu alto pelas chaminés, e o vento fazia murmurar as folhas das árvores. A vida voltara ao normal. Logo, o rei e a rainha correram à procura da filha e, ao encontrá-la, chorando, agradeceram ao príncipe por tê-la despertado do longo sono de cem anos.

O príncipe, então, pediu a mão da linda princesa em casamento que, por sua vez, já estava apaixonada pelo seu valente salvador.

Eles, então, se casaram e viveram felizes para sempre!

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O patinho feio

Em uma granja uma pata teve quatro patinhos muito lindos. Porém, quando nasceu o último, a patinha exclamou espantada:

– Que pato tão grande e tão feio!

No dia seguinte, de manhãzinha, dona Pata levou a ninhada para perto do riacho.

Mas os patos maiores estavam achando aquele patinho marrom, muito feio. Não parece pato não! – Dizia uma galinha carijó. O galo então, estava muito admirado do tal patinho.

– Tomem cuidado com o gatão preto. Não se afastem muito de mim, dizia a Mãe Pata.

Chegaram à lagoa e logo dona pata e os pequenos entraram na água.

Mamãe estava orgulhosa. Mas o patinho feio era desajeitado, como ele só. Não conseguia nadar. Afundava a todo momento.

Teve que sair para fora da água. E foi só gozação dos demais. Dona pata ainda ensinou-os a procurar minhocas e a dividi-las com os irmãos.

Os irmãos tinham vergonha dele e gritavam-lhe:

– Vá embora porque é por tua causa que todos estão olhando para nós! Não sei porque o gatão preto, não leva você para sempre?

– O pobre patinho ficava sempre isolado dos demais. Os patos mais velhos, judiavam do pobrezinho dando-lhe bicadas.

Todos os seus irmãos eram amarelinhos e pequeninos, e ele era feio, marrom, grandão e desengonçado. De tão rejeitado por ser diferente, resolveu fugir.

Afastou-se tanto que deu por si na outra margem.

– De repente, ouviram-se uns tiros. O Patinho Feio observou como um bando de gansos se lançava em vôo. O cão dos caçadores perseguia-os furioso.

Conseguiu escapar do cão mas não tinha para onde ir. Porém, não deixava de caminhar.

Foi andando… foi andando… sem destino, com o coração cheio de dor e lágrimas nos olhos.

Chegou a um riacho onde estavam patos selvagens. Cumprimentou-os como aprendera com sua Mãe. Mas eles logo foram dizendo:

– Não queremos intrusos aqui. Vá andando e não se faça de engraçado, pato feio.

Pobre patinho, só queria um lugar no mundo para descansar, comer algumas minhocas e nada mais.

Finalmente, o inverno chegou. Os animais do bosque olhavam para ele cheios de pena.

– Onde irá o Patinho Feio com este frio? – Não parava de nevar. Escondeu-se debaixo de uns troncos e foi ali que uma velhinha com um cãozinho o encontrou.

– Pobrezinho! Tão feio e tão magrinho! E levou-o para casa.

Lá em casa, trataram muito bem dele. Todos, menos um gatinho cheio de ciúmes, que pensava: “Desde que este patucho está aqui, ninguém me liga”.

Com o tempo a velha cansou-se dele, porque não servia para nada: não punha ovos e além disso comia muito, porque estava a ficar muito grande.

O gato então aproveitou a ocasião.

-Vá embora! Não serves para nada!

E o patinho foi embora. Chegou a um lago em que passeavam quatro belos cisnes que olhavam para ele.

O Patinho Feio pensou que o iriam enxotar. Muito assustado, ia esconder a cabeça entre as asas quando, ao ver-se refletido na água, viu, nada mais nada menos, do que um belo cisne que não era outro senão ele próprio, tão grande e tão belo, como os que vinham ao seu encontro.

Os companheiros o acolheram e acariciavam-no com o bico. O seu coraçãozinho não cabia mais dentro do peito.

Nunca imaginara tanta felicidade.

Os cisnes começaram a voar e o Patinho Feio foi atrás deles.

Quando passou por cima da sua antiga granja, os patinhos, seus irmãos, olharam para eles e exclamaram:

– Que cisnes tão lindos!

Assim termina a nossa história. O patinho feio sofreu muito até que um belo dia cresceu e descobriu a verdade sobre si próprio: ele não era um pato feio e diferente dos outros, era na verdade um lindo cisne. Desde então, todos passaram a admirá-lo e a se curvar diante de sua beleza.

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Cinderela

Cinderela era filha de um comerciante rico. Depois que seu pai morreu, sua madrasta tomou conta da casa que era de Cinderela. Cinderela então, passou a viver com sua madrasta malvada, junto de suas duas filhas que tinham inveja da beleza de Cinderela e transformaram-na em uma serviçal. Ela tinha de fazer todos os serviços domésticos e ainda era alvo de deboches e malvadezas. Seu refúgio era o quarto no sótão da sua própria casa e seus únicos amigos: os animais da floresta.

Um belo dia, é anunciado que o Rei realizará um baile para que o príncipe escolha sua esposa dentre todas as moças do reino. No convite, distribuído a todos os cidadãos, havia o aviso de que todas as moças deveriam comparecer ao Baile promovido pelo Rei.

A madrasta de Cinderela sabia que ela era a mais bonita da região, então disse que ela não poderia ir porque não tinha um vestido apropriado para a ocasião. Cinderela, então, costurou um vestido com a ajuda de seus amigos da floresta. Passarinhos, ratinhos e esquilos a ajudaram a fazer um vestido de retalhos, mas muito bonito. Porém, a madrasta não queria que Cinderela comparecesse ao baile de forma alguma, pois sua beleza impediria que o príncipe se interessasse por suas duas filhas. Sendo assim, ela e as filhas rasgaram o vestido, dizendo que não tinham autorizado Cinderela a usar os retalhos que estavam no lixo. Fizeram isso de última hora, para impedir que a moça tivesse tempo para costurar outro.

Muito triste, Cinderela foi para seu quarto no sótão e ficou à janela, olhando para o Castelo na colina. Chorou, chorou e rezou muito. De suas orações e lágrimas, surgiu sua Fada-madrinha que confortou a moça e usou de sua mágica para criar um lindo vestido para Cinderela. Também surgiu uma linda carruagem e os amiguinhos da floresta foram transformados em humanos, cocheiro e ajudantes de Cinderela. Antes de sua afilhada sair, a Fada-madrinha lhe deu um aviso: a moça deveria chegar antes da meia-noite, ou toda a mágica iria se desfazer aos olhos de todos.

Cinderela chegou à festa como uma princesa. Estava tão bonita, que não foi reconhecida a não ser pela madrasta,que passou a noite inteira dizendo para as filhas que achava conhecer a moça de algum lugar, mas não conseguia dizer de onde. O príncipe, tão-logo a viu a convidou para dançar. Cinderela e o príncipe dançaram e dançaram a noite inteira. Conversaram e riram como duas almas gêmeas e logo se perceberam feitos um para o outro.

Acontece que a fada-madrinha tinha avisado que toda a magia só duraria até à meia-noite e um. Quando o relógio badalou as doze batidas e um minuto, Cinderela teve de sair correndo. Foi quando deixou um dos seus sapatinhos de cristal na escadaria. O príncipe, muito preocupado por não saber o nome da moça ou como reencontrá-la, pegou o pequeno sapatinho e saiu em sua busca no reino e em outras cidades. Muitas moças disseram ser a dona do sapatinho, mas o pé de nenhuma delas se encaixava no objeto.

Quando o príncipe bateu à porta da casa de Cinderela, a madrasta trancou a moça no sótão e deixou apenas que suas duas filhas experimentassem o sapatinho. Apesar das feiosas se esforçarem, nada do sapatinho de cristal servir. Foi quando um ajudante do príncipe viu que havia uma moça na janela do sótão da casa.

Sob as ordens do príncipe, a madrasta teve de deixar Cinderela descer. A moça então experimentou o sapatinho, mas antes mesmo que ele servisse em seus pés, o príncipe já tinha dentro do seu coração a certeza de que havia reencontrado o amor de sua vida. Cinderela e o príncipe se casaram em uma linda cerimônia, e anos depois se tornariam Rei e Rainha, famosos pelo bom coração e pelo enorme senso de justiça. Cinderela e o príncipe foram felizes para todo o sempre.

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Rapunzel

Era uma vez um distante reino, calmo e tranquilo até que um dia sua rainha, que esta grávida, adoece. Seus súditos, para salvar a rainha, inventam um elixir com uma flor cultivada a partir de uma gota de luz solar. O medicamento restaura a saúde da rainha e concede poderes mágicos de cura para o bebê.

No entanto, uma velha, malvada e ciumenta bruxa chamada Gothel seqüestra a pequena princesa, Rapunzel, logo após o nascimento, para poder usar os poderes dela para se manter jovem.

Gothel tranca Rapunzel numa torre longe do mundo exterior e diz a Rapunzel que o mundo é perigoso e cheio de coisas horríveis, com pessoas egoístas. Rapunzel, acreditando nas mentiras de sua mãe, permanece dentro de sua torre, mas todos os anos no aniversário dela, Rapunzel observa os festival das luzes, que acontece em um reino vizinho, sem saber que é em memória dela mesma, que foi roubada.

Ela sonha um dia em ir para o reino para ver o festival. Finalmente, em seu aniversário de dezoito anos, ela reúne a coragem de pedir a Gothel para levá-la para o festival, ainda sem rodeios, Gothel se recusa, e ordena para Rapunzel que ela nunca vai pedir para deixar a torre novamente.

Nesse mesmo dia, Flynn Rider, um ladrão charmoso e bonito, decide usar a torre de Rapunzel como esconderijo e depois, rouba as jóias da coroa. Rapunzel captura ele, leva a mochila contendo as jóias, e mantém ele refém, até decidir que se ele levar ela para o festival, ela dará a bolsa em troca. Para distrair a mãe, Rapunzel pede uma tinta especial feita de conchas para seu aniversário, o que levaria três dias para que ela conseguisse.

Rapunzel e Flynn saem da torre, e acabam envolvidos em vários acidentes, e com o passar do tempo, acabam se respeitando e dependendo uns dos outros. Em um ponto, Rapunzel revela sua história para Flynn. De acordo com a Mamãe Gothel, as pessoas queriam Rapunzel por causa de seu cabelo mágico, e assim ela foi trancada na torre por sua segurança. No entanto, se seu cabelo for cortado, ela perderia seu poder e ele mudaria de cor. Mamãe Gothel, acaba descobrindo da fuga de Rapunzel, seguindo ela e enfrentando a mesma. Quando Rapunzel se recusa a voltar para casa, Gothel diz que a única razão de Flynn estar com ela, é por que ele quer a bolsa com as jóias. Gothel também contrata dois bandidos para um esquema maior.

Durante o festival, Rapunzel e Flynn se aproximam e começam a se apaixonar, antes que ele a leva para fora em um barco para finalmente ver as luzes flutuantes. Agora os sentimentos de Flynn para ela são genuínos, Rapunzel dá de volta a sua mochila. Depois de voltar para a praia, Gothel encena seu plano, sequestrando Rapunzel, deixando ela na torre, enquanto Flynn foge. Rapunzel, de coração partido com a traição de Flynn, concorda com Gothel para nunca deixar a torre novamente.

No entanto, após examinar uma bandeira do festival percebe que tudo esta ligado. Isso desperta memórias de infância de Rapunzel, e ela percebe que ela é a princesa perdida do reino. Ela confronta Gothel, e depois de descobrir a verdade, ela jura que não será mais usada por sua “mãe”.

Flynn logo chega, e tenta resgatar Rapunzel. No entanto, ele a encontra amarrada e amordaçada e é fatalmente esfaqueado por Gothel. Rapunzel, pede para Gothel deixar ela curar Flynn e em troca, ela ficará na torre para sempre. Gothel concorda, mais Flynn, preferindo pela liberdade de Rapunzel, corta seus cabelos, fazendo ela perder sua força. Como a magia do cabelo desaparece, Gothel rapidamente começa a envelhecer e tropeça no cabelo cortado de Rapunzel e cai pela janela onde seu corpo se desfaz em pó antes que chegue ao chão. Agora, sem ter como curar ele, Rapunzel vê Flynn, que morre de seus ferimentos pouco tempo depois, mas não antes de confirmar seu amor por ela.

No entanto, em sua tristeza, Rapunzel é capaz de terminar o seu encantamento de cura e uma única gota de lágrima revive ele. Flynn reúne Rapunzel com seus pais e, durante uma celebração no reino, ela toma seu lugar como princesa.

Assim, os dois se casaram e eles viveram felizes para sempre.

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João e Maria

Às margens de uma floresta existia, há muito tempo, uma cabana pobre feita de troncos de árvores, onde moravam um lenhador, sua segunda esposa e seus dois filhinhos, nascidos do primeiro casamento. O garoto chamava-se João e a menina, Maria.

Na casa do lenhador, a vida sempre fora difícil, mas, naquela época, as coisas pioraram: não havia pão para todos.

— Mulher, o que será de nós? Acabaremos morrendo de fome. E as crianças serão as primeiras.

— Há uma solução… – disse a madrasta, que era muito malvada – amanhã daremos a João e Maria um pedaço de pão, depois os levaremos à mata e lá os abandonaremos.

O lenhador não queria nem ouvir um plano tão cruel, mas a mulher, esperta e insistente, conseguiu convencê-lo. No aposento ao lado, as duas crianças tinham escutado tudo, e Maria desatou a chorar.

— E agora, João? Sozinhos na mata, vamos nos perder e morrer.

— Não chore — tranqüilizou o irmão. — Tenho uma idéia.

Esperou que os pais estivessem dormindo, saiu da cabana, catou um punhado de pedrinhas brancas que brilhavam ao clarão da Lua e as escondeu no bolso. Depois voltou para a cama. No dia seguinte, ao amanhecer, a madrasta acordou as crianças.

— Vamos cortar lenha na mata. Este pão é para vocês.

Partiram os quatro. O lenhador e a mulher na frente, as crianças atrás. A cada dez passos, João deixava cair no chão uma pedrinha branca, sem que ninguém percebesse. Quando chegaram bem no meio da mata, a madrasta disse:

– João e Maria, descansem enquanto nós vamos rachar lenha para a lareira. Mais tarde passaremos para pegar vocês.

Os dois irmãos, após longa espera, comeram o pão e, cansados e fracos, adormeceram. Acordaram à noite, e nem sinal dos pais.

— Estamos perdidos! Nunca mais encontraremos o caminho de casa! — soluçou Maria.

— Quando a Lua aparecer no céu acharemos o caminho de casa — consolou-a o irmão.

Quando a Lua apareceu, as pedrinhas que João tinha deixado cair pelo atalho começaram a brilhar, e, seguindo-as, os irmãos conseguiram voltar à cabana.

Ao vê-los, os pais ficaram espantados. O lenhador, em seu íntimo, estava contente, mas a mulher não. Assim que foram deitar, disse que precisavam tentar novamente, com o mesmo plano. João, que tudo escutara, quis sair à procura de outras pedrinhas, mas não pôde, pois a madrasta trancara a porta. Maria estava desesperada.

— Como poderemos nos salvar desta vez?

— Daremos um jeito, você vai ver.

Na madrugada do dia seguinte, a madrasta acordou as crianças e foram novamente para a mata. Enquanto caminhavam, Joãozinho esfarelou todo o seu pão e o da irmã, fazendo uma trilha. Desta vez afastaram-se ainda mais de casa e, chegando a uma clareira, os pais deixaram as crianças com a desculpa de cortar lenha, abandonando-as.

João e Maria adormeceram, famintos e cansados. Quando acordaram, estava muito escuro, e Maria desatou a chorar. Mas desta vez não conseguiram encontrar o caminho: os pássaros haviam comido todas as migalhas. Andaram a noite toda e o dia seguinte inteirinho, sem conseguir sair daquela floresta, e estavam com muita fome.

De repente, viram uma casinha muito mimosa. Aproximaram-se, curiosos, e viram, encantados, que o telhado era feito de chocolate, as paredes de bolo e as janelas de jujuba.

— Viva!— gritou João.

E correu para morder uma parte do telhado, enquanto Mariazinha enchia a boca de bolo, rindo. Ouviu-se então uma vozinha aguda, gritando no interior da casinha:

— Quem está o teto mordiscando e as paredes roendo?

As crianças, pensando que a voz era de uma menina de sua idade, responderam:

— É o Saci-pererê que está zombando de você!

Subitamente, abriu-se a porta da casinha e saiu uma velha muito feia, mancando, apoiada em uma muleta. João e Maria se assustaram, mas a velha sorriu, mostrando a boca desdentada.

— Não tenham medo, crianças. Vejo que têm fome, a ponto de quase destruir a casa. Entrem, vou preparar uma jantinha.

O jantar foi delicioso, e a velha senhora ajeitou gostosas caminhas macias para João e Maria, que adormeceram felizes. Não sabiam, os coitadinhos, que a velha era uma bruxa que comia crianças e, para atraí-las, tinha construído uma casinha de doces.

Agora ela esfregava as mãos, satisfeita.

— Estão em meu poder, não podem me escapar. Porém estão um pouco magros. É preciso fazer alguma coisa.

Na manhã seguinte, enquanto ainda estavam dormindo, a bruxa agarrou João e o prendeu em um porão escuro, depois, com uma
sacudida, acordou Maria.

— De pé, preguiçosa! Vá tirar água do poço, acenda o fogo e apronte uma boa refeição para seu irmão. Ele está fechado no porão e tem de engordar bastante. Quando chegar no ponto vou comê-lo.

Mariazinha chorou e se desesperou, mas foi obrigada a obedecer. Cada dia cozinhava para o irmão os melhores quitutes. E também, a cada manhã, a bruxa ia ao porão e, por ter vista fraca e não enxergar bem, mandava:

— João, dê-me seu dedo, quero sentir se já engordou!

Mas o esperto João, em vez de um dedo, estendia-lhe um ossinho de frango. A bruxa zangava-se, pois apesar do que comia, o moleque estava cada vez mais magro! Um dia perdeu a paciência.

— Maria, amanhã acenda o fogo logo cedo e coloque água para ferver. Magro ou gordo, pretendo comer seu irmão. Venho esperando isso há muito tempo!

A menina chorou, suplicou, implorou, em vão. A bruxa se aborrecera de tanto esperar. Na manhã seguinte, Maria tratou de colocar no fogo o caldeirão cheio de água, enquanto a bruxa estava ocupada em acender o forno para assar o pão. Na verdade ela queria assar a pobre Mariazinha, e do João faria cozido.

Quando o forno estava bem quente, a bruxa disse à menina:

— Entre ali e veja se a temperatura está boa para assar pão.

Mas Maria, que desconfiava sempre da bruxa, não caiu na armadilha.

— Como se entra no forno? — perguntou ingenuamente.

— Você é mesmo uma boba! Olhe para mim! — e enfiou a cabeça dentro do forno.

Maria empurrou a bruxa para dentro do forno e fechou a portinhola com a corrente. A malvada queimou até o último osso.

A menina correu para o porão e libertou o irmão. Abraçaram-se, chorando lágrimas de alegria; depois, nada mais tendo a temer, exploraram a casa da bruxa. E quantas coisas acharam! Cofres e mais cofres cheios de pedras preciosas, de pérolas…

Encheram os bolsos de pérolas. Maria fez uma trouxinha com seu aventalzinho, e a encheu com diamantes, rubis e esmeraldas. Deixaram a casa da feiticeira e avançaram pela mata.

Andaram muito. Depois de algum tempo, chegaram a uma clareira, e perceberam que conheciam aquele lugar. Certa vez tinham apanhado lenha ali, de outra vez tinham ido colher mel naquelas árvores…

Finalmente, avistaram a cabana de seu pai. Começaram a correr naquela direção, escancararam a porta e caíram nos braços do lenhador que, assustado, não sabia se ria ou chorava.

Quantos remorsos o tinham atormentado desde que abandonara os filhos na mata! Quantos sonhos horríveis tinham perturbado suas noites! Cada porção de pão que comia ficava atravessada na garganta. Única sorte, a madrasta ruim, que o obrigara a livrar-se dos filhos, já tinha morrido.

João esvaziou os bolsos, retirando as pérolas que havia guardado. Maria desamarrou o aventalzinho e deixou cair ao chão a chuva de pedras preciosas. Agora, já não precisariam temer nem miséria nem carestia.

E assim, desde aquele dia o lenhador e seus filhos viveram na fartura, sem mais nenhuma preocupação.

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Alladin e a Lâmpada Mágica

Alladin era filho de um pobre alfaiate que vivia numa cidade da China.

Quando seu pai morreu ele era ainda muito jovem, e sua mãe teve que trabalhar de diarista e costurar dia e noite para sustentá-lo. Um dia, quando tinha mais ou menos quinze anos, estava brincando na rua, com alguns companheiros.

Um homem estranho que passava parou para olhá-lo. Era um mágico africano que necessitava da ajuda de um jovem. Percebeu logo que Alladin era exatamente quem ele procurava.

Primeiro, o mágico indagou das pessoas que estavam ali, quem era o menino. Depois, dirigiu-se a ele e perguntou:

– Meu garoto, você não é filho de Shang Ling, o alfaiate?

– Sim, senhor, mas meu pai morreu há muito tempo, respondeu o menino.

Ao ouvir estas palavras, o mágico, com os olhos cheios de lágrimas, abraçou Alladin,e disse:

– Você é meu sobrinho, pois seu pai era meu irmão. Eu o conheci à primeira vista, porque você é muito parecido com ele.

O homem deu duas moedas de ouro a Alladin, dizendo:

– Vá para casa e diga à sua mãe para preparar o jantar; esta noite irei jantar com vocês.

Encantado com o dinheiro e com aquele tio, Alladin correu para casa.

– Mamãe, eu tenho algum tio? perguntou ele.

– Que eu saiba, não, meu filho. Seu pai não tinha irmãos e eu também não os tenho, respondeu a senhora.

– Acabei de encontrar um senhor que me disse ser irmão de papai. Deu-me este dinheiro e mandou dizer-lhe que jantaria aqui hoje.

A senhora ficou muito admirada e encucada, pegou as moedas e saiu para fazer compras e passou o dia preparando o jantar. Exatamente quando tudo estava pronto, o mágico bateu à porta. Entrou trazendo embrulhos de frutas e doces e perfumes para presentear a mulher. Cumprimentou a mãe de Alladin e, com lágrimas nos olhos, pediu-lhe que indicasse o lugar onde o irmão costumava sentar-se. Durante o jantar, pôs-se a narrar e descrever suas viagens.

– Minha boa cunhada, começou ele. Não me admiro de que você nunca me tivesse visto. Estive quarenta anos fora deste país. Viajei por muitos lugares. Estou realmente triste por saber da morte de meu irmão, mas é um conforto saber que ele deixou um filho tão encantador ! Virando-se para Alladin, perguntou-lhe:

– Que faz você, meu garoto ? Trabalha no comércio?

Alladin abaixou a cabeça, envergonhado, sem ter o que dizer, pois passava o dia todo batendo pernas na rua e não ia à escola. Sua mãe, então, explicou:

– Infelizmente ele nada faz. Passa os dias desperdiçando o tempo a brincar na rua. Estudar que é bom, nem pensar.

– Isto não é bom, meu sobrinho, disse o mágico. É preciso pensar num meio de ganhar a vida e pensar no seu futuro. Eu gostaria de ajudá-lo. Se você quiser, montarei uma loja para você.

Alladin ficou muito contente com a idéia.

– Bem, resolveu o homem, amanhã sairemos e compraremos roupas elegantes. Depois, então, pensaremos na loja.

No dia seguinte, ele voltou, como havia prometido, e levou Alladin a uma loja que vendia roupas lindas.

O menino escolheu as que mais lhe agradaram. Depois deram um passeio pela cidade. À noite, foram a uma festa. Quando a mãe de Alladin o viu voltar tão elegante e o ouviu contar tudo que haviam feito, ficou muito contente.

– Bondoso cunhado, disse ao mágico, não sei como agradecer-lhe tanta bondade.

– Alladin é um bom menino, disse ele, e bem merece que se faça tudo por ele. Algum dia nos orgulharemos dele. Amanhã virei buscá-lo, para dar um passeio no campo. Depois de amanhã, então, montaremos uma loja de brinquedos.

No dia seguinte Alladin levantou-se muito cedo, lavou o rosto, tomou o café da manhã, escovou os dentes, despediu-se da mãe com um beijo e foi ao encontro do tio.

Andaram muito, muito mesmo, até chegarem à uma fonte de água clara. O mágico abriu um embrulho de frutas e bolos. Quando acabaram de comer, continuaram a andar um pouco mais até que chegaram a um vale estreito, cercado de montanhas. Era este o lugar que o homem esperava encontrar. Ele havia levado Alladin ali por um motivo secreto.

– Não iremos adiante, comunicou ao rapaz. Mostrarei a você algumas coisas jamais vistas por alguém. Enquanto risco um fósforo, cate todos os gravetos que encontrar para acender o fogo.

Alladin num instante arranjou um pilha de gravetos secos, aos quais o mágico ateou fogo. Quando as chamas cresceram, atirou-lhes um pouco de incenso e pronunciou umas palavras mágicas que Alladin não entendeu bem. Imediatamente a terra se abriu a seus pés e apareceu uma grande pedra, em cuja parte superior havia uma argola de ferro. Alladin estava tão assustado que teria fugido se o mágico não o detivesse.

– Se você me obedecer, não se arrependerá. Debaixo desta pedra está escondido um tesouro que o fará mais rico do que todos os reis do mundo. Você deverá, entretanto, fazer exatamente o que eu digo, para consegui-lo.

O medo de Alladin desapareceu e ele declarou ao tio:

– Que tenho a fazer? Estou pronto!

– Segure a argola e levante a pedra, disse o homem.

Alladin Suspendeu a pedra e deixou-a de lado. Debaixo da pedra, apareceu uma escada subterrânea que conduzia a uma porta.

– Desça estes degraus e abra aquela porta, ordenou o mágico. Você entrará num palácio onde há três enormes salões. Em cada um deles verá quatro vasos cheios de ouro e diamantes. Não mexa em nenhum deles. Passe através dos três salões sem parar. Tenha cuidado para não se encostar nas paredes. Se o fizer, morrerá instantâneamente. No fim do terceiro salão, há uma porta que dá para um pomar, onde as árvores estão carregadas de lindas frutas. Atravessando o pomar, você chegará a um muro no qual encontrará um nicho. Nesse nicho, há uma lâmpada acesa. Pegue a lâmpada, jogue fora o pavio e o azeite, e traga-a o mais depressa que puder.

Dizendo estas palavras, o mágico tirou do dedo um anel que ofereceu a Alladin, explicando:

– Se você me obedecer, isto o protegerá contra todos os males. Vá, meu sobrinho. Faça tudo o que eu disse e ambos seremos felizes para o resto da vida.

Alladin desceu os degraus e abriu a porta. Encontrou três salões. Atravessou-os cuidadosamente e chegou ao pomar. Foi até o muro, pegou a lâmpada do nicho, jogou fora o pavio e o azeite, conforme o mágico havia falado.

Finalmente, amarrou a lâmpada ao cinturão. Já estava decidido a voltar, mas, olhando para as árvores, ficou encantado com as frutas. Eram de cores diferentes: brancas, vermelhas, verdes, azuis, roxas, todas cintilantes. Na verdade, não eram frutas, mas pedras preciosas: pérolas, diamantes, rubis, esmeraldas, safiras e ametistas. Alladin, não sabendo seu valor, pensou que eram simples pedaços de vidro. Ficou, entretanto, encantado com as cores e apanhou algumas de cada cor. Encheu os bolsos e também a bolsa de couro que trazia presa ao cinturão. Assim carregado de tesouros, correu pelos salões e logo chegou à boca da caverna.

Viu o tio que o esperava no alto da escada e pediu-lhe:

– Dê-me a mão, meu tio, e ajude-me a sair daqui.

– Primeiro, entregue-me a lâmpada, exigiu o mágico.

– Na verdade, não posso fazê-lo agora, pois trago outras coisas que me dificultam a subida, mas assim que estiver aí em cima, eu entrego, explicou Alladin.

O mágico, que estava aflito para possuir a lâmpada, irritou-se com o atrevimento do garoto e atirou um pouco de incenso ao fogo, pronunciando algumas palavras mágicas. Imediatamente a pedra voltou ao seu lugar, tapando a saída da estranha caverna.

Quando Alladin se viu na escuridão, tentou atingir novamente a porta que conduzia aos salões para ver se conseguia chegar ao pomar. A porta, porém, estava fechada. Durante três dias, Alladin permaneceu na escuridão, sem comer, nem beber. Por fim, juntou as mãos em uma prece, ao fazê-lo, esfregou o anel que o mágico tinha posto em seu dedo. No mesmo instante, um gênio, enorme e assustador, surgiu da terra, dizendo:

– Que deseja? Sou o empregado do anel e cumprirei suas ordens.

Alladin replicou:

– Tire-me daqui.

Logo a terra se abriu e ele se encontrou lá fora. Muito artordoado foi andando para casa e, ao chegar, caiu desfalecido junto à porta. Quando voltou a si, contou à mãe o que lhe havia acontecido.

Entregou-lhe a lâmpada e as frutas que tinha trazido. Pediu-lhe, depois, alguma coisa para comer, ao que ela respondeu:

– Meu filho, nada tenho em casa, mas costurei algumas roupas e irei vendê-las, então poderei comprar algo.

– Em vez das roupas, mamãe, venda a lâmpada, propôs o menino.

Ela apanhou a lâmpada e começou a esfregá-la para limpá-la, porque estava muito suja de terra. Nesse momento, surgiu um gênio que gritou bem forte:

– Sou o gênio da lâmpada e obedecerei à pessoa que a estiver segurando.

A senhora estava assustada demais para poder falar, mas o menino agarrou-a ousadamente e disse:

– Arranje-me alguma coisa para comer!

O gênio desapareceu e minutos depois voltou equilibrando na cabeça uma bandeja de prata na qual havia doze pratos, também de prata, cheios das melhores comidas. Havia ainda dois pratos e dois copos vazios. Colocou a bandeja na mesa e dasapareceu outra vez.

Alladin e sua mãe sentaram-se e comeram com grande prazer. Nunca haviam provado comida tão gostosa. Depois de comerem tudo, venderam os pratos, conseguindo, assim, dinheiro que deu para viverem por algum tempo com bastante conforto.

Um dia, quando passeava pela cidade, Alladin ouviu uma ordem do sultão mandando que fechassem as lojas e saíssem todos das ruas, pois sua filha, a princesa, ia ao banho de mar e não podia ser vista por ninguém. O rapaz escondeu-se atrás de uma porta, de onde podia ver a princesa quando passasse.

Não decorreu muito tempo e ela passou, acompanhada de uma porção de empregadas. Quando passou perto da porta onde Alladin estava escondido, tirou o véu que lhe cobria a cabeça e Alladin pôde ver-lhe o rosto. A moça era tão bonita que Alladin ficou enamorado e desejou casar-se com ela. Chegando a casa contou à mãe seu amor pela princesa. A senhora riu-se e respondeu:

– Meu filho, você deve estar louco para pensar numa coisa destas!

– Não estou louco, mamãe, e pretendo pedir a mão da princesa ao sultão. Você deve procurá-lo para fazer o pedido, disse ele.

– Eu??? Dirigir-me ao sultão??? Você sabe muito bem que ninguém pode falar-lhe sem levar um rico presente, informou a senhora.

– Bem, vou contar-lhe um segredo. Aquelas frutas que trouxe da caverna não são simples pedaços de vidro. São jóias de grande valor. Tenho olhado pedras preciosas nas joalherias e nenhuma é tão grande, nem tem o brilho das minhas. A oferta delas, estou certo, comprará o favor do sultão.

Alladin tirou as pedras do armário e as trouxe à sua mãe colocando-as num prato de porcelana. A beleza de suas cores assombrou a senhora, que ficou certa de que o presente não poderia deixar de agradar ao sultão. Ela cobriu o prato e as jóias com um bonito pano de linho e saiu para o palácio.

A multidão daqueles que tinham negócios na corte era grande. As portas estavam abertas e ela foi entrando. Colocou-se em frente ao sultão. Ele, entretanto, não tomou conhecimento de sua presença. Nem ligou pra ela.

Durante uma semana, ela foi lá diariamente, ocupando sempre o mesmo lugar. Afinal, ele viu-a e perguntou o que desejava. Tremendo, a boa mulher falou-lhe sobre a pretensão do filho. O sultão ouviu-a amavelmente e perguntou-lhe o que trazia na mão. Ela tirou o guardanapo de cima do prato e mostrou-lhe as jóias cintilantes.

Que surpresa teve ele ao ver tais maravilhas! Durante um bom tempo, contemplou-as sem dizer nada. Depois exclamou:

– Que riqueza! Que encanto!

Ele já havia determinado que a filha se casaria com um de seus oficiais, mas disse à mãe de Alladin:

– Diga a seu filho que ele desposará a princesa se me enviar quarenta vasos cheios de jóias como estas. Eles deverão ser entregues por quarenta empregados, todos ricamente vestidos.

A mãe de Alladin curvou-se até o chão e voltou para casa pensando que tudo estivesse perdido. Deu o recado ao filho esperando que, com isso, ele desistisse. Alladin sorriu, e quando a mãe se afastou, apanhou a lâmpada e esfregou-a. O gênio apareceu no mesmo instante e ele pediu-lhe que arranjasse tudo que o sultão havia pedido. O gênio desapareceu e voltou trazendo quarenta empregados, cada um carregando na cabeça uma vaso cheio de pérolas, rubis, diamantes, esmeraldas, safiras e ametistas. Alladin ordenou-lhes que se dirigissem ao palácio, dois a dois, e pediu à sua mãe que entregasse o presente ao sultão. Os empregados estavam tão ricamente vestidos que todos, nas ruas, paravam para vê-los. Entraram no palácio e ajoelharam-se em frente ao sultão, formando um semi-círculo. Os empregados colocaram os vasos sobre o tapete.

O espanto do sultão, à vista daquelas riquezas, foi indescritível. Depois de muito contemplá-las, levantou-se e disse à mãe de Alladin:

– Diga a seu filho que o espero de braços abertos.

A senhora, feliz com a notícia, não perdeu tempo. Saiu correndo e deu o recado ao filho. Alladin, entretanto, não teve pressa. Primeiro chamou o gênio e pediu-lhe:

– Desejo um banho perfumado, uma roupa luxuosa, um cavalo tão bonito quanto o do sultão, vinte empregados e, além disso, vinte mil moedas de ouro distribuídas em vinte bolsas. Tudo isso apareceu imediatamente à sua frente. Alladin, elegantemente vestido e montado num lindo cavalo, passou pelas ruas, causando admiração a todos. Os empregados marchavam a seu lado, cada um carregando uma bolsa cheia de moedas de ouro, para distribuir pelo povo. Quando o sultão viu aquele belo rapaz, saiu do trono para recebê-lo. À noite ofereceu-lhe uma grande festa. Ele desejava que Alladin se casasse logo com a filha, mas este lhe disse:

– Primeiro, construirei um palácio para ela.

Assim que regressou à casa, chamou o gênio e disse:

– Dê-me um palácio do mais fino mármore, incrustado de pedras preciosas.

– Nele quero encontrar estábulos, cocheiras, lacaios, empregados. A mais fina decoração, com os móveis mais luxuosos do mundo.

O casamento de Alladin com a princesa realizou-se no meio de grande riqueza. O rapaz já havia conquistado o coração do povo, por sua generosidade. Durante muito tempo eles foram imensamente felizes.

Nesta ocasião, o mágico que estava na África descobriu que Alladin era muito rico e querido de todos. Cheio de raiva foi atrás de Alladin. Lá chegando, ouviu algúem falar do palácio maravilhoso que tinha sido levantado pelo gênio da lâmpada. Resolveu, então, obter a lâmpada, custasse o que custasse. Os mercadores contaram-lhe que Alladin tinha ido caçar e que estaria ausente por alguns dias. Ele comprou uma dúzia de lâmpadas de cobre, iguais à lâmpada maravilhosa, e foi ao palácio gritando:

– Trocam-se lâmpadas novas por lâmpadas velhas!

Quando chegou à janela da princesa, os empregados chamaram-no, dizendo:

– Venha cá. Temos uma lâmpada feia e velha que queremos trocar.

Era a lâmpada maravilhosa que Alladin havia deixado em cima de um móvel. A princesa não sabia seu valor; por isso, pediu a um empregado que a trocasse por uma nova. O mágico, muito contente, deu-lhe a melhor lâmpada que tinha, e saiu correndo para a floresta. Quando anoiteceu, chamou o gênio da lâmpada e ordenou que o palácio, a princesa e ele próprio fossem carregados para a África.

O pesar do sultão foi terrível quando descobriu que a filha e o palácio tinham desaparecido. Enviou soldados à procura de Alladin, que foi trazido à sua presença.

– Vou deixar você em liberdade por quarenta dias e quarenta noites, lhe informou o sultão. Se durante este tempo minha filha não aparecer, vou prender você no calabouço.

Alladin vagou por toda a cidade, perguntando às pessoas que encontrava o que havia acontecido ao seu palácio. Ninguém sabia dar-lhe informação . Depois de muito andar, parou num riacho para matar a sede. Abaixou-se e juntou as mãos para apanhar um pouco de água. Ao fazê-lo, esfregou o anel mágico que trazia no dedo. O gênio do anel apareceu e perguntou-lhe o que queria.

– Ó gênio poderoso, devolve-me minha esposa e meu palácio! Implorou ele.

– Isto não está em meu poder, disse o gênio. Peça-o ao gênio da lâmpada. Sou apenas o gênio do anel.

– Então, pediu Alladin, leva-me até onde estiver o palácio.

Imediatamnete, o rapaz sentiu-se carregado pelos ares. Finalmente chegou a um país estranho, onde logo avistou o palácio. A princesa estava chorando em seu quarto. Quando viu Alladin, ficou muito contente. Correu ao seu encontro e contou-lhe tudo o que havia acontecido. Alladin, ao ouvir falar na troca das lâmpadas, percebeu logo que o mágico era o causador de toda aquela aflição.

– Diga-me uma coisa, perguntou à esposa, onde está a lâmpada velha agora?

– O velho carrega-a no cinturão e não se separa dela noite e dia.

Depois de muito conversarem, fizeram um plano para conseguir a lâmpada de volta.

Alladin foi à cidade e comprou um pó que fazia a pessoa dormir instantaneamente. A princesa convidou o mágico para jantar em sua companhia. Enquanto comiam os primeiros pratos, ela pediu a um criado que lhe trouxesse dois copos de vinho, que ela havia preparado. O mágico, encantado com tanta gentileza, bebeu o vinho no qual ela havia derramado certa quantidade do pó. Suas idéias foram ficando meio confusas e ele acabou pegando no sono.

Alladin, que estava escondido atrás de uma cortina, veio depressa e apanhou a lâmpada do cinturão do velho mágico. Depois mandou que os empregados o carregassem para fora do palácio e o deixassem bem longe dali. A seguir, esfregou a lâmpada e, quando o gênio apareceu, pediu-lhe que levasse o palácio de volta. Algumas horas mais tarde, o sultão olhando pela janela, viu o palácio de Alladin brilhando ao sol.

Mandou, então, dar uma festa que durou uma semana.

O mágico, quando acordou no dia seguinte e se viu no meio da rua sem a lâmpada, ficou desesperado, fugiu para bem longe e nunca mais voltou.

Alladin e a esposa viveram felizes pelo resto da vida.

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Alice no país das maravilhas

Estava Alice no jardim a ouvir uma história que a sua irmã mais velha lhe contava quando, de repente, viu passar um coelho branco muito bem vestido e de luvas brancas!

Alice correu logo atrás dele mas rapidamente o coelho desapareceu pelo chão. Alice seguiu-o apressadamente e descobriu um buraco fundo junto a uma árvore onde o coelho desaparecera.

Deslizou cuidadosamente pelo buraco, estranhamente decorado, e quando chegou ao fundo deu com um corredor com várias portas fechadas. Numa ponta do corredor, Alice viu uma pequena mesa onde estava pousada uma chave dourada. Alice pegou na chave e tentou abrir, uma a uma, todas as portas daquele corredor. Quando já estava prestes a desistir, reparou numa pequenina porta, a um canto do corredor. Ao colocar a chave na fechadura, a porta abriu facilmente e através dela Alice viu um lindo jardim!

Mas Alice era demasiado grande para passar por aquela pequena porta. Desapontada, fechou a porta e voltou a olhar à sua volta. Reparou que na mesa estava agora uma garrafa com um rótulo que dizia: ”Bebe-me”. Alice pegou na garrafa e bebeu. De repente começou a encolher, a encolher até ficar pequenina como um ratinho:

– Oh meu Deus! Agora estou muito pequena para chegar à chave! – disse

Enquanto tentava de alguma forma chegar ao topo da mesa, Alice bateu com o seu pé numa caixa de biscoitos que estava no chão. Nela estava escrita “come-me” e, sem pensar, Alice tirou um biscoito da caixa e comeu-o. Então começou a crescer, a crescer até ficar tão grande que a sua linda cabeça bateu rapidamente no teto!

– Agora tenho a chave, mas estou outra vez grande demais para passar pela porta.

Sem pensar calçou uma luva que acabara de encontrar no chão e, inesperadamente, encolheu para o tamanho certo, conseguindo passar pela porta até chegar ao jardim!

Assim que chegou ao jardim, viu o coelho branco, a passar muito apressado. Alice correu atrás dele e perguntou:

– Onde vai tão apressado?

– Não tenho tempo para conversas. A rainha de copas está à minha espera!

E partiu, correndo, antes que Alice o pudesse seguir.

De repente, Alice ouviu uma voz que dizia:

– O chapeleiro louco e a lebre de março é que te podem dizer… mas os dois são malucos!

Alice olhou à sua volta e só passado um instante é que viu aparecer primeiro um sorriso, a seguir uma cabeça e só depois um gato inteiro.

– Eu sou o gato de Cheshire!

A partir das informações que o gato deu a Alice, esta entrou na floresta, à procura da lebre de março e do chapeleiro louco. Ao encontrá-los, o chapeleiro louco e a lebre de março convidaram Alice a tomar um chá. Eles informaram Alice que tomavam chá todos os dias juntos por ordem da rainha de copas!

Alice decidiu então descobrir quem era a rainha de copas de quem toda a gente falava e temia.

Durante o caminho, Alice encontrou algumas cartas de jogar que pintavam rosas brancas de vermelho.

– O que é que estão fazendo?!

– A rainha de copas detesta branco! – responderam as cartas que afinal eram jardineiros.

Antes que Alice pudesse perguntar mais alguma coisa ouviu o que parecia ser o barulho de uma grande festa a chegar…

Era a rainha de copas com todos os seus criados! Ao ver Alice, a rainha ordenou furiosa:

– Tirem-lhe a cabeça imediatamente!

Mas o rei murmurou:

– Minha querida, talvez ela saiba jogar croquet…

Então a rainha pensou por uns segundos e depois gritou:

– Deem-lhe uma bola e um taco e vamos ver do que ela é capaz!

Alice pegou no taco e na bola mas viu logo que este não ia ser um jogo fácil de jogar. Os tacos eram flamingos cor-de-rosa que tentavam fugir e as bolas eram ouriços-cacheiros que, por não quererem ser batidos, não paravam quietos!

A rainha ao ver que Alice não conseguia jogar, ficou vermelha de raiva e gritou:

– A menina não sabe jogar! Tirem-lhe a cabeça de uma vez!

– Majestade, a culpa não é minha. Os ouriços-cacheiros estão sempre a fugir e os flamingos sempre a voarem!

Mas antes que Alice pudesse dizer mais alguma palavra, já se encontrava num tribunal rodeada do rei e da rainha de copas, juntamente com todos os habitantes do reino.

Alice levantou-se para se defender mas de repente começou a crescer e a crescer, e tudo começou a girar à sua volta, tornando-se numa enorme confusão.

Ela abriu os olhos e viu, surpreendida, que estava novamente no jardim ao lado da sua irmã, e que esta lhe oferecia uma xícara de chá…

Teria sido tudo um sonho?

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A Bela e a Fera

Há muitos anos, em uma terra distante, viviam um mercador e suas três filhas . A mais jovem era a mais linda e carinhosa, por isso era chamada de “BELA”.

Um dia, o pai teve de viajar para longe a negócios. Reuniu as suas filhas e disse:

— Não ficarei fora por muito tempo. Quando voltar trarei presentes. O que vocês querem?

As irmãs de Bela pediram presentes caros, enquanto ela permanecia quieta.

O pai se voltou para ela, dizendo :

— E você, Bela, o que quer ganhar?

— Quero uma rosa, querido pai, porque neste país elas não crescem, respondeu Bela, abraçando-o forte.

O homem partiu, conclui os seus negócios, pôs-se na estrada para a volta. Tanta era a vontade de abraçar as filhas, que viajou por muito tempo sem descansar. Estava muito cansado e faminto, quando, a pouca distância de casa, foi surpreendido, em uma mata, por furiosa tempestade, que lhe fez perder o caminho.

Desesperado, começou a vagar em busca de uma pousada, quando, de repente, descobriu ao longe uma luz fraca. Com as forças que lhe restavam dirigiu-se para aquela última esperança. Chegou a um magnífico palácio, o qual tinha o portão aberto e acolhedor. Bateu várias vezes, mas sem resposta. Então, decidiu entrar para esquentar-se e esperar os donos da casa. O interior, realmente, era suntuoso, ricamente iluminado e mobiliado de maneira esquisita.

O velho mercador ficou defronte da lareira para enxugar-se e percebeu que havia uma mesa para uma pessoa, com comida quente e vinho delicioso. Extenuado, sentou-se e começou a devorar tudo.

Atraído depois pela luz que saía de um quarto vizinho, foi para lá, encontrou uma grande sala com uma cama acolhedora, onde o homem se esticou, adormecendo logo. De manhã, acordando, encontrou vestimentas limpas e uma refeição muito farta. Repousado e satisfeito, o pai
de Bela saiu do palácio, perguntando-se espantado por que não havia encontrado nenhuma pessoa. Perto do portão viu uma roseira
com lindíssimas rosas e se lembrou da promessa feita a Bela. Parou e colheu a mais perfumada flor. Ouviu, então, atrás de si um
rugido pavoroso e, voltando-se, viu um ser monstruoso que disse:

— É assim que pagas a minha hospitalidade, roubando as minhas rosas? Para castigar-te, sou obrigado a matar-te!

O mercador jogou-se de joelhos, suplicando-lhe para ao menos deixá-lo ir abraçar pela última vez as filhas. A fera lhe propôs, então, uma troca: dentro de uma semana devia voltar ou ele ou uma de suas filhas em seu lugar.

Apavorado e infeliz, o homem retornou para casa, jogando-se aos pés das filhas e perguntando-lhes o que devia fazer. Bela aproximou-se dele e lhe disse:

— Foi por minha causa que incorreste na ira do monstro. É justo que eu vá…

De nada valeram os protestos do pai, Bela estava decidida. Passados os sete dias, partiu para o misterioso destino.

Chegada à morada do monstro, encontrou tudo como lhe havia descrito o pai e também não conseguiu encontrar alma viva. Pôs-se então a visitar o palácio e, qual não foi a sua surpresa, quando, chegando a uma extraordinária porta, leu ali a inscrição com caracteres dourados: “Apartamento de Bela”.

Entrou e se encontrou em uma grande ala do palácio, luminosa e esplêndida. Das janelas tinha uma encantadora vista do jardim. Na hora do almoço, sentiu bater e se aproximou temerosa da porta. Abriu-a com cautela e se encontrou ante de Fera. Amedrontada, retornou e fugiu através da salas. Alcançada a última, percebeu que fora seguida pelo monstro. Sentiu-se perdida e já ia implorar piedade ao terrível ser, quando este, com um grunhido gentil e suplicante lhe disse:

— Sei que tenho um aspecto horrível e me desculpo; mas não sou mau e espero que a minha companhia, um dia, possa ser-te agradável. Para o momento, queria pedir-te, se podes, honrar-me com tua presença no jantar.

Ainda apavorada, mas um pouco menos temerosa, bela consentiu e ao fim da tarde compreendeu que a fera não era assim malvada. Passaram juntos muitas semanas e Bela cada dia se sentia afeiçoada àquele estranho ser, que sabia revelar-se muito gentil, culto e educado.

Uma tarde, a Fera levou Bela à parte e, timidamente, lhe disse:

— Desde quando estás aqui a minha vida mudou. Descobri que me apaixonei por ti. Bela, queres casar-te comigo?

A moça, pega de surpresa, não soube o que responder e, para ganhar tempo, disse:

— Para tomar uma decisão tão importante, quero pedir conselhos a meu pai que não vejo há muito tempo!

A Fera pensou um pouco, mas tanto era o amor que tinha por ela que, ao final, a deixou ir, fazendo-se prometer que após sete dias
voltaria. Quando o pai viu Bela voltar, não acreditou nos próprios olhos, pois a imaginava já devorada pelo monstro. Pulou-lhe ao pescoço e
a cobriu de beijos. Depois começaram a contar-se tudo que acontecera e os dias passaram tão velozes que Bela não percebeu que já haviam transcorridos bem mais de sete.

Uma noite, em sonhos, pensou ver a Fera morta perto da roseira. Lembrou-se da promessa e correu desesperadamente ao palácio.
Perto da roseira encontrou a Fera que morria.

Então, Bela a abraçou forte, dizendo:

— Oh! Eu te suplico: não morras! Acreditava ter por ti só uma grande estima, mas como sofro, percebo que te amo.

Com aquelas palavras a Fera abriu os olhos e soltou um sorriso radioso e diante de grande espanto de Bela começou a transformar-se em um esplêndido jovem, o qual a olhou comovido e disse:

— Um malvado encantamento me havia preso naquele corpo monstruoso. Somente fazendo uma moça apaixonar-se podia vencê-lo e tu és a escolhida. Queres casar-te comigo agora?

Bela não fez repetir o pedido e a partir de então viveram felizes e apaixonados.

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Branca de neve

Há muito tempo, num reino distante, viviam um rei, uma rainha e sua filhinha, a princesa Branca de Neve. Sua pele era branca como a neve, os lábios vermelhos como o sangue e os cabelos pretos como o ébano.

Um dia, a rainha ficou muito doente e morreu. O rei, sentindo-se muito sozinho, casou-se novamente. O que ninguém sabia é que a nova rainha era uma feiticeira cruel, invejosa e muito vaidosa. Ela possuía um espelho mágico, para o qual perguntava todos os dias:

— Espelho, espelho meu! Há no mundo alguém mais bela do que eu?

— És a mais bela de todas as mulheres, minha rainha! – respondia ele.

Branca de Neve crescia e ficava cada vez mais bonita, encantadora e meiga. Todos gostavam muito dela, exceto a rainha, pois tinha medo que Branca de Neve se tornasse mais bonita que ela.

Depois que o rei morreu, a rainha obrigava a princesa a vestir-se com trapos e a trabalhar na limpeza e na arrumação de todo o castelo. Branca de Neve passava os dias lavando, passando e esfregando, mas não reclamava. Era meiga, educada e amada por todos.

Um dia, como de costume, a rainha perguntou ao espelho:

— Espelho, espelho meu! Há no mundo alguém mais bela do que eu?

— Sim, minha rainha! Branca de Neve é agora a mais bela!

A rainha ficou furiosa, pois queria ser a mais bela para sempre. Imediatamente mandou chamar seu melhor caçador e ordenou que ele matasse a princesa e trouxesse seu coração numa caixa. No dia seguinte, ele convidou a menina para um passeio na floresta, mas não a matou.

— Princesa, – disse ele – a rainha ordenou que eu a mate, mas não posso fazer isso. Eu a vi crescer e sempre fui leal a seu pai.

— A rainha?! Mas, por quê? — perguntou a princesa.

— Infelizmente não sei, mas não vou obedecer a rainha dessa vez. Fuja, princesa, e por favor não volte ao castelo, porque ela é capaz de matá-la!

Branca de Neve correu pela floresta muito assustada, chorando, sem ter para onde ir. O caçador matou uma gazela, colocou seu coração numa caixa e levou para a rainha, que ficou bastante satisfeita, pensando que a enteada estava morta.

Anoiteceu. Branca de Neve vagou pela floresta até encontrar uma cabana. Era pequena e muito graciosa. Parecia habitada por crianças, pois tudo ali era pequeno. A casa estava muito desarrumada e suja, mas Branca de Neve
lavou a louça, as roupas e varreu a casa. No andar de cima da casinha encontrou sete caminhas, uma ao lado da outra. A moça estava tão cansada que juntou as caminhas, deitou-se e dormiu.

Os donos da cabana eram sete anõezinhos que, ao voltarem para casa, se assustaram ao ver tudo arrumado e limpo. Os sete homenzinhos subiram a escada e ficaram muito espantados ao encontrar uma linda jovem dormindo em suas camas.

Branca de Neve acordou e contou sua história para os anões, que logo se afeiçoaram a ela e a convidaram para morar com eles. O tempo passou…

Um dia, a rainha resolveu consultar novamente seu espelho e descobriu que a princesa continuava viva. Ficou furiosa. Fez uma poção venenosa, que colocou dentro de uma maçã, e transformou-se numa velhinha maltrapilha.

— Uma mordida nesta maçã fará Branca de Neve dormir para sempre — disse a bruxa.

No dia seguinte, os anões saíram para trabalhar e Branca de Neve ficou sozinha. Pouco depois, a velha maltrapilha chegou perto da janela da
cozinha. A princesa ofereceu-lhe um copo d’água e conversou com ela.

— Muito obrigada! — falou a velhinha — coma uma maçã… eu faço questão!

No mesmo instante em que mordeu a maçã, a princesa caiu desmaiada no chão. Os anões, alertados pelos animais da floresta, chegaram na cabana enquanto a rainha fugia. Na fuga, ela acabou caindo num abismo e morreu.

Os anõezinhos encontraram Branca de Neve caída, como se estivesse dormindo. Então colocaram-na num lindo caixão de cristal, em uma clareira e ficaram vigiando noite e dia, esperando que um dia ela acordasse.

Um certo dia, chegou até a clareira um príncipe do reino vizinho e logo que viu Branca de Neve se apaixonou por ela. Ele pediu aos anões que o deixassem levar o corpo da princesa para seu castelo, e prometeu que velaria por ela.

Os anões concordaram e, quando foram erguer o caixão, este caiu, fazendo com que o pedaço de maçã que estava alojado na garganta de Branca de Neve saísse por sua boca, desfazendo o feitiço e acordando a princesa.

Quando a moça viu o príncipe, se apaixonou por ele. Branca de Neve despediu-se dos sete anões e partiu junto com o príncipe para um castelo distante onde se casaram e foram felizes para sempre.

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Os três porquinhos

Era uma vez uma feliz família de porquinhos que tinha três filhos. Os porquinhos foram crescendo e os pais notavam que estavam muito dependentes. Não ajudavam no trabalho de casa nem se esforçavam em nada. Então um dia, eles se reuniram e decidiram que os porquinhos, que já estavam bem crescidos, fossem morar sozinhos. Os pais deram um pouco de dinheiro a cada um, alguns bons conselhos. Os três porquinhos partiram para o bosque em busca de um bom lugar para construir, cada um, a sua casa.

O primeiro porquinho, que era o mais preguiçoso de todos, foi logo optando por construir uma casa rápida e que não necessitasse muito esforço. E construiu uma casa de palha, embora os seus irmãos lhe tenham dito que não era segura.

O segundo porquinho, que era menos preguiçoso que o primeiro mas que tampouco gostava de trabalhar, construiu uma casa de madeira, porque pensava que era mais prática e resistente.

O terceiro porquinho, o mais sensato de todos e mais trabalhador, preferiu construir uma casa de tijolos. Demorou mais para construí-la mas depois de três dias de intenso trabalho a casa estava prontinha.

Os três porquinhos ouviram falar que um perigoso lobo rondava pelo bosque. E não demorou muito para que aparecesse pelas suas casas, em busca de uma boa carne de porco para comer.

O lobo então foi bater na porta da casa do primeiro porquinho. O porquinho, tentando intimidá-lo disse:

– Vá embora seu lobo. Aqui você não vai entrar.

O lobo insistiu e disse:

– Abra logo esta porta ou soprarei e soprarei e a sua casa destruirei.

Vendo que o porquinho não abria a porta da casa, o lobo começou a soprar e soprar tão forte que a casa de palha voou pelos ares. O porquinho, desesperado, acabou correndo em direção à casa de madeira do seu irmão. O lobo correu atrás dele, mas não conseguiu alcançá-lo.

O lobo então foi bater na porta da casa do segundo porquinho. O porquinho, tentando intimidá-lo disse:

– Vá embora seu lobo. Na minha casa de madeira você não vai conseguir entrar.

O lobo insistiu e disse:

– Abram logo esta porta ou soprarei e soprarei e esta casa destruirei.

Vendo que os porquinhos não abriam a porta da casa, o lobo começou a soprar e soprar tão forte que a casa de madeira caiu e ficou em pedaços. Os porquinhos, desesperados, acabaram correndo em direção à casa de tijolo e cimento do outro irmão. O lobo correu atrás deles, mas não conseguiu alcançá-los.

O lobo então foi bater na porta da casa do terceiro porquinho. Os porquinhos tentando intimidá-lo cantaram:

Quem tem medo do lobo mau
Lobo mau, lobo mau?!
Quem tem medo do lobo mau?!
Ele é um cara legal!

O lobo ficava cada vez mais furioso e gritou:

– Abram a porta, já!!!

E os porquinhos responderam:

– Vá embora seu lobo. Você não conseguirá derrubar esta casa porque está feita com tijolo e cimento.

O lobo insistiu e disse:

– Abram logo esta porta ou soprarei e soprarei e esta casa destruirei.

Vendo que os porquinhos não abriam a porta da casa, o lobo começou a soprar, soprar, soprar, e a casa continuava inteira no seu lugar. O lobo ficou tão cansado que acabou sentando-se ao pé da porta para descansar. Enquanto isso, pensou e pensou em como entrar na casa e teve uma idéia. Foi buscar uma escada para subir ao telhado da casa e entrar na casa pela chaminé. Os porquinhos, vendo o que tramava o lobo, reagiram logo. Puseram a ferver um balde enorme de água, e o colocou no final da chaminé e esperaram.

Quando o lobo entrou na chaminé, caiu bem dentro do balde cheio de água fervendo.

– Uai, uai, Uaiiiiii!!!!!!!! Gritou o lobo, saindo correndo ao lago para aliviar as suas queimaduras e assustado, nunca mais voltou a molestar os porquinhos.

E quanto aos porquinhos, aprenderam a lição de que tudo o que é feito com esforço tem melhor resultado. Os três porquinhos decidiram morar juntos e todos viveram felizes e harmonia.

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João e o pé de feijão

No tempo do Rei Alfredo, muito longe de Londres, vivia uma pobre viúva. Ela tinha um único filho, que era muito rebelde e extravagante. Aos poucos, ele gastou todo o dinheiro que ela possuia. Um dia, pela primeira vez na vida, censurou-o:

– Filho malvado!!! Não tenho mais dinheiro nem sequer para comprar um pedaço de pão. Só o que me resta é a minha pobre e velha vaca.

João tanto amolou a mãe para vender a vaca, que ela acabou consentindo. Quando ele ia levando o animal, encontrou um açougueiro que lhe propôs trocar a vaca por uns grãos mágicos de feijão que ele levava no chapéu. João, julgando ser isso uma grande oferta, aceitou a proposta e voltou para casa. Quando sua mãe viu os feijões por que ele havia trocado a vaca, perdeu a paciência. Apanhou os grãos de feijão, atirou-os para fora da janela, e pôs-se a chorar. João tentou consolá-la, mas não o conseguiu. Como não tinham nada para comer, foram deitar-se com fome.

No dia seguinte, João acordou cedo e viu que alguma coisa estava fazendo sombra na janela de seu quarto. Levantou-se, desceu as escadas e foi ao jardim. Aí verificou que os grãos que sua mãe havia atirado pela janela, tinham germinado e o pé de feijão crescera surpreendentemente. As hastes eram grossas e tinham-se entrelaçado como uma trança. Estavam tão altas, que davam a impressão de alcançarem as nuvens. João, que gostava de aventuras, resolveu trepar na árvore que se formara, até atingir o alto. Depois de levar algumas horas subindo, chegou a um país estranho. Ali encontrou uma bonita moça, elegantemente vestida, e com um sorriso encantador lhe perguntou como havia chegado até lá e ele lhe contou que subira pelo pé de feijão.

– Você se lembra de seu pai? Perguntou-lhe a moça.

– Não, senhora. Mamãe sempre chora quando falo nele e não me diz nada, respondeu o menino.

– Sou a fada protetora de seu pai, disse-lhe a moça. As fadas estão sujeitas a leis, como os homens, e quando cometem um erro, perdem o seu poder por alguns anos. Eu estava incapaz de ajudar seu pai quando ele mais precisou de mim e por isso ele morreu.

A fada parecia tão triste que João se sentiu comovido e pediu-lhe que continuasse a falar.

– Seu pai era um homem muito bondoso, continuou a fada. Tinha uma boa esposa, empregados fiéis e muito dinheiro. Teve, porém, uma infelicidade: um amigo falso, um gigante que ele havia ajudado muito e que, em retribuição, o matou e roubou tudo o que ele tinha. Também fez sua mãe prometer que nunca lhe contaria nada, sob pena de matá-los também. Eu não pude ajudá-la. Meu poder só reapareceu no dia em que você foi vender sua vaca. Fui eu que fiz você trocar a vaca pelos feijões. Fui eu que fiz o pé de feijão crescer tão depressa e lhe inspirou o desejo de subir por ele. O malvado gigante vive aqui e você deve livrar o mundo deste monstro, que não faz outra coisa senão maldade… Pode apossar-se legalmente de sua casa e de suas riquezas, porque tudo pertencia a seu pai e é seu, mas não deixe sua mãe saber que você está a par desta história.

João perguntou-lhe o que devia fazer:

– Vá seguindo por esta estrada até encontrar uma casa grande, parecida com um castelo. É aí que o gigante vive. Então, aja de acordo com seu próprio modo de pensar. Seja bem sucedido… boa sorte!

A fada desapareceu e João caminhou até o sol se pôr. Com grande alegria, avistou a casa do gigante. Uma mulher de aparência simples estava à porta. Ele pediu-lhe um pedaço de pão e um lugar para dormir. Ela ficou muito surpresa e disse que não era comum aparecer ali um ser humano. Era sabido que seu marido, um gigante poderoso, não gostava de pessoas rodando perto de sua casa e ficava muito bravo… João ficou muito amedrontado, mas teve esperança de que o gigante não fosse tão ruim assim. Insistiu para que a mulher o deixasse passar a noite lá, escondendo-o do gigante. Finalmente, ela concordou. Entraram e ela o levou a um quarto, onde lhe deu de comer e beber. De repente, ouviram uma batida forte na porta, que fez a casa estremecer.

– É o gigante, disse a moça. Se ele o vir aqui, o matará e a mim também. Que farei?

– Esconda-me no forno, pediu João. O forno estava apagado e João entrou nele bem depressa. De lá ouvia o gigante gritar com a mulher e repreendê-la. Depois, sentou-se à mesa. João espiou por uma fenda no fogão e ficou horrorizado ao ver a quantidade de comida que ele ingeria. Tinha-se a impressão de que não ia acabar mais de comer e beber. Quando terminou, virou-se para trás e gritou para a sua mulher, com uma voz de trovão:

– Traga a minha galinha!

Ela obedeceu e colocou sobre a mesa uma bonita galinha.

– Ponha um ovo! ordenou ele.

Imediatamente, a galinha pôs um ovo de ouro.

– Ponha outro! continuou ele.

Cada vez que assim ordenava, ela punha um ovo maior do que o outro. Durante muito tempo, assim se divertiu com a galinha. Depois mandou a mulher para a cama e sentou-se perto da lareira, onde adormeceu, roncando alto como um canhão. Assim que ele pegou no sono, João saiu do forno, agarrou a galinha e fugiu com ela. Correu pela estrada até encontrar o pé de feijão, pelo qual desceu rapidamente. Sua mãe ficou cheia de alegria ao vê-lo. Ela pensara que lhe tivesse acontecido alguma coisa.

– Nada disso, Mamãe! E lhe contou toda a aventura, sem todavia falar no nome do pai. Mostrou-lhe a galinha, à qual ordenou várias vezes: “-Ponha um ovo!” e ela pôs quantos ovos ele desejou. Vendidos esses ovos, João e sua mãe ficaram com tanto dinheiro, que viveram felizes por muitos meses.

Um dia, ele resolveu fazer nova visista ao gigante, a fim de trazer mais riquezas. Arranjou uma roupa que o disfarçava e pintou o rosto com uma tinta escura. Levantou-se muito cedo, antes que a mãe acordasse e subiu pelo pé de feijão. Caminhou o dia todo e chegou à casa do gigante ao escurecer. Encontrou a mesma mulher à porta e pediu-lhe que lhe desse de comer e um lugar para dormir. Ela lhe contou que o marido era um gigante poderoso e cruel, e que um dia, ela dera abrigo a um menino pobre e faminto que, ingrato, roubara um dos tesouros do gigante. O marido culpara-a por isso e, desde então, começara a maltratá-la. João teve muita pena dela, mas insistiu para que o recebesse. Afinal, ela acabou consentindo. Levou-o à cozinha e, quando ele acabou de comer, escondeu-o num armário velho. O gigante chegou à hora de costume. Pisava tão forte que a casa estremecia sob seus passos. Sentou-se junto à lareira e gritou:

– Mulher, sinto cheiro de carne fresca. A esposa respondeu-lhe que os corvos tinham deixado um pedaço de carne crua no telhado. Enquanto ela preparava a ceia, ele esteve de mau humor, frequentemente culpando a esposa pela perda da galinha. Afinal, quando terminou a refeição, gritou:

– Dê-me alguma coisa para distrair-me. Traga minhas sacas de dinheiro. A esposa trouxe-as, com dificuldade, porque estavam muito pesadas. Eram duas, cheias de moedas de ouro. Ela despejou-as na mesa e o gigante começou a contá-las com alegria.

– Agora você pode ir para a cama, sua velha tonta, disse ele, e a mulher se retirou.

De seu esconderijo, João via-o contando as moedas. Ele sabia que elas tinham pertencido a seu pai e desejou possuí-las. O gigante, sem saber que estava sendo observado, colocou as moedas novamente nas duas sacas. Amarrou-as bem e colocou-as ao lado da sua cadeira. Seu cachorro estava ali de guarda. Daí a pouco, o gigante adormeceu e começou a roncar tão alto que parecia o barulho do mar em dia de tempestade.

Então, João saiu do esconderijo, mas, exatamente quando ia segurando as sacas de dinheiro, o cachorro pôs-se a latir furiosamente. João parou, esperando que seu inimigo acordasse e, então… estaria tudo perdido!!! Mas felizmente, isso não aconteceu: o gigante continuou a dormir profundamente. Neste instante, João viu um pedaço de carne e atirou-o ao cão, que parou de latir na hora. O menino aproveitou a ocasião para carregar as sacolas de moedas, colocando-as uma em cada ombro. Eram tão pesadas, que ele levou dois dias para descer pelo pé de feijão. Quando chegou a casa, deu à mãe todo o dinheiro, com o qual ela reformou a vivenda e mobiliou-a de novo. Eles estavam felizes como não eram havia muito tempo.

Durante três anos, João procurou não visitar mais o gigante. Um dia, porém, começou a preparar-se para nova viagem. Arranjou um disfarce diferente e melhor do que o usado da última vez. Era verão e em uma manhã bem cedo, sem dizer nada à mãe, subiu pelo pé de feijão, chegando à casa do gigante ao anoitecer. Como de costume, encontrou a mulher em pé, na porta. João estava tão bem disfarçado que ela não o reconheceu. Mas, quando se disse muito pobre e faminhto, encontrou grande dificuldade em ser admitido. Depois de muito insistir, conseguiu que ela o escondesse num caldeirão grande de cobre. Quando o gigante chegou, disse furioso:

– Sinto cheiro de carne fresca!!! Apesar de todas as desculpas que a esposa lhe dava, pôs-se a revistar tudo. João estava horrorizado, desejando mil vezes ver-se em casa, são e salvo. Quando o gigante chegou ao caldeirão e pôs a mão na tampa, João considerou-se morto. Mal ele começara a levantar a tampa, mudou de idéia, deixando-a cair. Foi sentar-se perto da lareira, para devorar a grande ceia. Quando acabou, deu ordens à mulher para trazer-lhe a harpa. João espiou pela tampa do caldeirão e viu a harpa mais original que podia imaginar. o gigante colocou-a sobre a mesa e disse:

– Toque!!! Imediatamente ela começou a tocar uma linda música e João desejou apoderar-se dela, mais do que qualquer outro tesouro do seu inimigo. O gigante não era apreciador de música. A harpa embalou-o, fazendo-o dormir mais cedo do que de costume. Assim que João verificou que estava tudo bem, saiu do caldeirão, pegou a harpa e saiu correndo. Entretanto, a harpa era encantada e, assim que se viu em mãos estranhas, pôs-se a gritar alto:

– Patrão!!! Patrão!!!

O gigante acordou, levantou-se e viu João correndo.

– Oh!!! Você, vilão!!! Foi você quem roubou minha galinha, meu dinheiro e agora vai levando minha harpa!!! Espere aí que eu vou pegá-lo e fazer picadinho de você!!! – ameaçou ele em seu vozeirão de trovão.

– Muito bem, experimente!!! desafiou João. Ele sabia que o gigante havia comido tanto que mal podia ficar de pé, imagine correr atrás dele. Por outro lado, ele era jovem, tinha pernas ágeis e a consciência tranquila, o que muito ajuda o homem a caminhar com facilidade. Assim, num instante, chegou ao pé de feijão e foi descendo o mais depressa que pode. A harpa ia tocando uma suave canção.

Chegando em casa, encontrou sua mãe chorando, muito preocupada. Ele a consolou e pediu-lhe que fosse buscar, depressa, uma machadinha. O gigante já vinha descendo e não havia tempo a perder. As más ações do monstro tinham, porém, chegado ao fim. João cortou o pé de feijão bem na raiz. O gigante caiu de cabeça no jardim e morreu imediatamente. Nesse momento, apareceu a fada que explicou tudo à mãe de João e eles puderam assim continuar a cuidar da vida e da fazenda, nunca mais faltando dinheiro para comer, e João sentiu-se também muito feliz pois pode finalmente vingar a morte de seu pai.

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A galinha dos ovos de ouro

Era uma vez um casal sem filhos que vivia numa pequena cidade do interior. Eles eram conhecidos por serem muito avarentos e nunca estarem satisfeitos com nada. Se estava sol, queixavam-se do calor; se estava frio e chuva queixavam-se de viver num sítio onde nem sequer podiam sair de casa…
Para além do mais, eram capazes de tudo por uma moeda de ouro!

Um dia, um duende brincalhão que por ali passava ouviu o que se comentava na cidade sobre esse casal, e decidiu provar se era verdade tudo aquilo que se dizia sobre eles.

Numa tarde em que o marido vinha da floresta carregado com lenha, o duende apareceu-lhe de dentro do tronco de uma árvore e disse-lhe: “Olá bom homem! Sentes-te bem? Pareces cansado e triste… Será que estás com fome ou doente?

O homem, um pouco assustado com a presença do duende, respondeu: “Não… não estou doente nem cansado, e também não tenho fome… nada de mal se passa comigo. Só estou triste porque eu e a minha mulher somos pobres e não conseguimos ter muitas coisas boas como gostaríamos de ter…

Então o duende respondeu: ”Se não tens fome nem frio nem estás doente, então alegra-te porque não és pobre!”.
Mas o homem insistiu: “Sou sim. Um homem que não tem ouro é pobre!”.

O duende riu-se e respondeu: “Olha que estás enganado. Eu se quiser posso ter todo o ouro do mundo, pois como sou duende sei onde se escondem todos os tesouros. Mas a mim o que me faz falta é a luz do dia, ter o que comer e uma casa quentinha onde possa dormir descansado. Além disso preciso de ter saúde e ser forte para poder caminhar e apreciar tudo o que me rodeia. E como tenho tudo isso sou muito rico e feliz!

“Disparate!” Disse o homem, e insistiu “Ser pobre quer dizer que não se tem ouro. E como eu não tenho ouro não posso ser feliz”.

“Tenho muita pena de ti homem” disse-lhe o duende “E para que sejas feliz como achas que deves ser, vou dar-te uma galinha que todos os dias porá um ovo de ouro. Só terás de esperar e recolher todos os dias um ovo. Não tarda nada, terás todo o ouro que sempre desejaste ter e tu e a tua mulher serão felizes para sempre”.

Do tronco onde estava o duende saiu uma galinha que cacarejava alegremente. O homem, espantado, colocou-a rapidamente debaixo do braço e desatou a correr ladeira abaixo direitinho a casa, enquanto o duende ria às gargalhadas. Assim que entrou em casa mostrou à sua esposa a galinha e contou-lhe tudo o que tinha acontecido.

Marido e mulher ficaram toda a noite à espera que a galinha pusesse o tão desejado ovo de ouro. De manhã cedo, a galinha começou a cacarejar e, pouco depois, surgiu debaixo dela um enorme e brilhante ovo de ouro!

Ao verem o ovo, o casal ficou radiante mas, minutos depois, a mulher comentou: “Que chatice… teremos de esperar até amanhã para termos outro ovo de ouro!”. Ao que o marido respondeu: “Pois é… que azar. Terão de passar muitas semanas até termos ovos suficientes para sermos os mais ricos da cidade. Devia ser por isso que o duende se ria às gargalhadas quando me deu a galinha”.

Então a mulher lembrou-se: “Sempre ouvi dizer que as galinhas já têm dentro delas todos os ovos que vão pôr… Se isso é verdade, porque é que não matamos agora a galinha e tiramos todos os ovos de ouro de uma vez? Seremos bem mais espertos do que o duende pensa!”.

O homem concordou, e sem hesitar, pegaram na pobre galinha e abriram-na para assim poderem tirar todos os ovos.
Mas qual não foi o espanto do casal ao ver que dentro da galinha não havia nenhum ovo de ouro…
Marido e mulher começaram a praguejar e a chorar, lamentando-se da sua sorte, pois por ganância tinham perdido para sempre a galinha dos ovos de ouro.

Espreitando pela janela, o duende ria-se e abanava a cabeça, pensando que a verdadeira felicidade não está em ter ou não ouro mas está sim no coração de cada um.

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A cigarra e a formiga

Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem se preocupar com o futuro. Esbarrando numa formiguinha, que carregava uma folha pesada, perguntou:

– Ei, formiguinha, pra que todo esse trabalho? O verão é pra gente aproveitar! O verão é pra gente se divertir!

– Não, não, não! Nós, formigas, não temos tempo pra diversão. É preciso guardar comida para o inverno.

Durante o verão, a cigarra continuou se divertindo e passeando por todo o bosque. Quando tinha fome, era só pegar uma folha e comer.

Um belo dia, passou de novo perto da formiguinha carregando outra pesada folha. A cigarra então aconselhou:

– Deixa esse trabalho pras outras! Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar!

A formiguinha gostou da sugestão. Ela resolveu ver a vida que a cigarra levava e ficou encantada. Resolveu viver também como sua amiga.

Mas, no dia seguinte, apareceu a rainha do formigueiro e, ao vê-la divertindo, olhou feio pra ela e ordenou que voltasse ao trabalho. Tinha terminado a vidinha boa.

Dai, a rainha das formigas falou pra cigarra:

– Se não mudar de vida, no inverno você há de se arrepender, cigarra! Vai passar fome e frio.

A cigarra nem ligou, fez uma reverência pra rainha e comentou:

– Hum!! O inverno ainda está longe, querida!

Pra cigarra, o que importava era aproveitar a vida, e aproveitar o hoje, sem pensar no amanhã. Pra que construir um abrigo? Pra que armazenar alimento?

Começou o inverno, e a cigarra começou a tiritar de frio. Sentia seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater na casa da formiga. Abrindo a porta, a formiga viu na sua frente a cigarra quase morta de frio. Puxou-a pra dentro, agasalhou-a e deu-lhe uma sopa bem quente e deliciosa.

Naquela hora, apareceu a rainha das formigas que disse à cigarra.

-No mundo das formigas, todos trabalham e se você quiser ficar conosco, cumpra o seu dever: toque e cante pra nós.

– A-ha! Pra cigarra e pras formigas, aquele foi o inverno mais feliz das suas vidas.

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O gato de botas

Um moleiro, que tinha três filhos, repartindo à hora da morte seus únicos bens, deu ao primogênito o moinho; ao segundo, o seuburro; e ao mais moço apenas um gato. Este último ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato lhe disse:

— Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e,em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno.

Assim, pois, o rapaz converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o seu gatinho. Este calçou as botas e, pondo o saco às costas, encaminhou-se para um sítio onde havia uma coelheira. Quando ali chegou, abriu o saco, meteu-lhe uma porção de farelo miúdo e deitou-se no chão fingindo-se morto. Excitado pelo cheiro do farelo, o coelho saiu de seu esconderijo e dirigiu-se para o saco.

O gato apanhou-o logo e levou-o ao rei, dizendo-lhe:

— Senhor, o nobre marquês de Carabás mandou que lhe entregasse este coelho. Guisado com cebolinhas será um prato delicioso.

— Coelho?! — exclamou o rei. — Que bom! Gosto muito de coelho, mas o meu cozinheiro não consegue nunca apanhar nenhum. Dize ao teu amo que eu lhe mando os meus mais sinceros agradecimentos.

No dia seguinte, o gatinho apanhou duas perdizes e levou-as ao rei como presente do marquês de Carabás. O rei ficou tão contente que mandou logo preparar a sua carruagem e, acompanhado pela princesa, sua filha, dirigiu-se para a casa do nobre súdito que lhe tinha enviado tão preciosas lembranças.

O gato foi logo ter com o amo:

— Vem já comigo, que te vou indicar um lugar, no rio, onde poderás tomar um bom banho.

O gato conduziu-o a um ponto por onde devia passar a carruagem real, disse-lhe que se despisse, que escondesse a roupa debaixo de uma pedra e se lançasse à água. Acabava o moço de desaparecer no rio quando chegaram o rei e a princesa.

— Socorro! Socorro! — gritou o bichano.

— Que aconteceu? — perguntou o rei.

— Os ladrões roubaram a roupa do nobre marquês de Carabás!— disse o gato. — Meu amo está dentro da água e sentirá câimbras.

O rei mandou imediatamente uns servos ao palácio; voltaram daí a pouco com um magnífico vestuário feito para o próprio rei, quando jovem. O dono do gato vestiu-o e ficou tão bonito que a princesa, assim que o viu, dele se enamorou.

O rei também ficou encantado emurmurou:

— Eu era exatamente assim, nos meus tempos de moço.

O gato estava radiante com o êxito do seu plano; e, correndo à frente da carruagem, chegou a uns campos e disse aos lavradores:

— O rei está chegando; se não lhes disserem que todos estes campos pertencem ao marquês de Carabás, faço-os triturar como carne para almôndegas. De forma que, quando o rei perguntou de quem eram aquelas searas, os lavradores responderam-lhe:

— Do muito nobre marquês de Carabás.— Com a breca! — disse o rei ao filho mais novo do moleiro.

— Que lindas propriedades tens tu! O moço sorriu perturbado, e o rei murmurou ao ouvido da filha:

— Eu também era assim, nos meus tempos de moço. Mais adiante, o gato encontrou uns camponeses ceifando trigo e lhes fez a mesma ameaça:

— Se não disserem que todo este trigo pertence ao marquês de Carabás, faço picadinho de vocês. Assim, quando chegou a carruagem real e o rei perguntou de quem era todo aquele trigo, responderam:

— Do mui nobre marquês de Carabás.

O rei ficou muito entusiasmado e disse ao moço:

— Ó marquês! Tens muitas propriedades!

O gato continuava a correr à frente da carruagem; atravessando um espesso bosque, chegou à porta de um magnífico palácio, no qual vivia um ogro que era o verdadeiro dono dos campos semeados. O gatinho bateu à porta e disse ao ogro que a abriu:

— Meu querido ogro, tenho ouvido por aí umas histórias a teu respeito. Dize-me lá: é certo que te podes transformar no que quiseres?

— Certíssimo — respondeu o ogro, e transformou-se num leão.

— Isso não vale nada — disse o gatinho. – Qualquer um pode inchar e aparecer maior do que realmente é. Toda a arte está em se tornar menor. Poderias, por exemplo, transformar-te em rato?

— É fácil — respondeu o ogro, e transformou-se num rato.

O gatinho deitou-lhe logo as unhas, comeu-o e desceu logo a abrir a porta, pois naquele momento chegava a carruagem real. E disse:

— Bem vindo seja, senhor, ao palácio do marquês de Carabás.

— Olá! — disse o rei — que formoso palácio tens tu! Peço-te a fineza de ajudar a princesa a descer da carruagem.

O rapaz, timidamente, ofereceu o braço à princesa e o rei murmurou-lhe ao ouvido:

— Eu também era assim tímido, nos meus tempos de moço.

Entretanto, o gatinho meteu-se na cozinha e mandou preparar um esplêndido almoço, pondo na mesa os melhores vinhos que havia na adega; e quando o rei, a princesa e o amo entraram na sala de jantar e se sentaram à mesa, tudo estava pronto.

Depois do magnífico almoço, o rei voltou-se para o rapaz e disse-lhe:

— Jovem, és tão tímido como eu era nos meus tempos de moço. Mas percebo que gostas muito da princesa, assim como ela gosta de ti. Por que não a pedes em casamento?

Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo parde botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos diamantes. E daí em diante, passaram a viver muito felizes.

E se o gato às vezes ainda se metia a correr atrás dos ratos, era apenas por divertimento; porque absolutamente não mais precisava de ratos para matar a fome…

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Pedro e o Lobo

Há muito, muito tempo, havia um pequeno pastor que se chamava Pedro e que cuidava das suas ovelhas nos campos de pasto dos arredores da aldeia. Todas as manhãs, muito cedo, o pastor saía com o seu rebanho para o campo e ali passava horas e horas. Muitas vezes, enquanto via as suas ovelhas a comer, Pedro ficava imaginando coisas e a pensar no que poderia fazer para se entreter e fazer as horas passarem mais depressa.

Um belo dia, o pastorzinho, cansado de ficar olhando as ovelhas, decidiu que seria divertido aprontar com as pessoas da aldeia. Aproximou-se do povoado e começou a gritar:

– Socorro, socorro! O lobo está vindo, socorro!!!!

Ao ouvir os pedidos de socorro do pastor, os habitantes da aldeia largaram tudo o que estavam a fazer e correram em auxílio do pequeno. No entanto, quando lá chegaram, deram conta de que se tratava de uma brincadeira de Pedro, que ria às gargalhadas. Os aldeões ficaram muito aborrecidos e decidiram voltar para suas casas. Assim que foram embora, Pedro decidiu gritar de novo:

– Socorro, socorro! Vem aí o lobo, socorro!!!!

Desta vez, as pessoas acreditaram que era verdade e que, diante do lobo feroz, o pobre Pedro iria precisar de ajuda. Mas, ao chegar perto dele, foram encontrá-lo novamente rindo à beça. Desta vez os aldeões aborreceram-se ainda mais e foram embora zangados.

Na manhã seguinte, Pedro levou novamente as suas ovelhas para o mesmo pasto e ainda ria ao lembrar o que tinha acontecido no dia anterior. Não se sentia nada arrependido. Mergulhado nos seus pensamentos, Pedro nem se deu conta de que um lobo se aproximava. Quando deu meia volta e deparou com ele, o medo invadiu o seu corpo. Ao ver que o animal se aproximava mais e mais, começou a gritar, desesperado:

– Socorro, socorro! Vem aí o lobo, socorro!!!! Vai devorar todas as ovelhas, socorro!!!

Mas, desta vez, os seus gritos foram em vão. Os camponeses não acreditaram em Pedro e não o foram ajudar. O infeliz pastorzinho ficou a ver como o lobo atacava as suas ovelhas, enquanto continuava a pedir auxílio, gritando várias vezes:

– Socorro, socorro! O lobo, socorro!!!!

Os aldeões continuaram a se fingir de surdos, enquanto o pastor via o lobo a comer as ovelhas. Então, Pedro se deu conta de que tinha sido muito injusto para com os habitantes da aldeia e, apesar de ser tarde demais, arrependeu-se profundamente e nunca mais voltou a mentir nem a tirar sarro dos outros.

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Cachinhos Dourados

Era uma vez uma bela família de ursos que vivia em uma floresta, bem distante.

Toda semana, o papai urso, a mamãe ursa e seu filhinho ursinho, saíam para passear na floresta pela manhã, antes do almoço. A sabida mamãe ursa já deixava a mesa posta antes de sair, assim poderiam comer logo que voltassem do passeio.

Mas um dia, logo após a família urso ter saído para seu passeio semanal, uma garotinha que estava perdida na floresta foi parar perto da casa da família urso. Ela era loira e tinha o cabelo encaracolado, então a chamavam de Cachinhos Dourados.

Cachinhos Dourados estava com muita fome e sentiu o cheiro da comida que vinha de dentro da casa. Ela chamou e bateu à porta mas ninguém atendeu, os ursos estavam passeando.

Então ela entrou e viu à mesa 3 pratos de uma sopa com um cheiro delicioso e resolveu provar a sopa. No maior prato da mesa a sopa estava muito quente e ela não conseguiu provar. Então pegou outra colher, provou a sopa que estava no prato médio e ela estava muito fria. Por último, provou a sopa que estava no prato menor e estava morninha e deliciosa!

Depois de satisfeita, ela precisava sentar para descansar um pouco. Cachinhos Dourados estava já há muito tempo perdida e vagando pela floresta. Viu então 3 cadeiras: a primeira cadeira era muito grande para ela se sentar e a segunda estava muito larga e ela ficava escorregando. E quando sentou na terceira cadeira, que era bem pequenininha, ela se espatifou no chão e quebrou a cadeira toda!

Então Cachinhos Dourados foi procurar outro lugar para descansar na casa e encontrou 3 camas em um quarto no andar de cima. Ela foi se deitar na primeira cama que era a maior. E a cama era muito, muito dura!

Depois foi se deitar na segunda cama, a média, mas ela afundou no colchão que era muito mole. Na cama menor ela ficou bem mais confortável: tinha um tamanho perfeito e era muito quentinha. Ela ficou tão relaxada que acabou adormecendo ali mesmo.

Então a família urso estava voltando do seu passeio e, assim que chegaram perto de casa, já perceberam alguma coisa errada: a porta estava aberta!

Entraram, encontraram a sala toda desarrumada e a cozinha bagunçada:

– Alguém tomou minha sopa e quebrou minha cadeirinha! – disse o ursinho

– Quem foi que bagunçou toda a mesa? – perguntou o papai urso

Quando chegaram no quarto a mamãe urso gritou:

– Alguém deitou na minha cama! Está toda desarrumada!

Mas o ursinho, assim que chegou perto da sua caminha percebeu que a Cachinhos Dourados dormia nela.

– Papai! Mamãe! Venham ver! Tem uma menina dormindo aqui na minha cama!

Então, com toda aquela gritaria, a Cachinhos Dourados acordou assustada com tantos ursos! Ela achou que iriam atacá-la e saiu correndo para pular a janela. Se não fosse o papai urso segurar a Cachinhos, ela teria se espatifado lá embaixo!

A família urso então finalmente conseguiu acalmar a Cachinhos Dourados. Explicaram que aquela era a casa deles, por isso estavam lá. Cachinhos Dourados e a família dos ursos ficaram muito amigos. Os ursos ajudaram a Cachinhos a voltar pra casa e ela prometeu que nunca mais iria mexer nas coisas de outras pessoas sem autorização.

E nem se afastar de casa!

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O Flautista de Hamelin

Há muito tempo, na cidade de Hamelin, aconteceu algo muito estranho: uma manhã, quando seus gordos e satisfeitos habitantes saíram de suas casas, encontraram as ruas invadidas por milhares de ratos que iam devorando, insaciáveis, os grãos dos celeiros e a comida de suas despensas.

Ninguém conseguia imaginar a causa da invasão e, o que era pior, ninguém sabia o que fazer para acabar com a praga.

Por mais que tentassem exterminá-los, ou ao menos afugentá-los, parecia ao contrário que mais e mais ratos apareciam na cidade. Tal era a quantidade de ratos que, dia após dia, começaram a esvaziar as ruas e as casas, e até mesmo os gatos fugiram assustados.

Diante da gravidade da situação, os homens importantes da cidade, vendo suas riquezas sumirem pela voracidade dos ratos, convocaram o conselho e disseram:

– Daremos cem moedas de ouro a quem nos livrar dos ratos!

Pouco depois se apresentou a eles um flautista alto e desengonçado, a quem ninguém havia visto antes, e lhes disse:

– A recompensa será minha. Esta noite não haverá um só rato em Hamelin.

Dito isso, começou a andar pelas ruas e, enquanto passeava, tocava com sua flauta uma melodia maravilhosa, que encantava aos ratos, que iam saindo de seus esconderijos e seguiam hipnotizados os passos do flautista que tocava incessantemente.

E assim ia caminhando e tocando. Levou os ratos a um lugar muito distante, tanto que nem sequer se via as muralhas da cidade.

Por aquele lugar passava um caudaloso rio onde, ao tentar cruzar para seguir o flautista, todos os ratos morreram afogados.

Os hamelineses, ao se verem livres dos ratos, respiraram aliviados. E, tranqüilos e satisfeitos, voltaram aos seus prósperos negócios e tão contente estavam que organizaram uma grande festa para celebrar o final feliz, comendo excelentes manjares e dançando até altas horas da noite.

Na manhã seguinte, o flautista se apresentou ante o Conselho e reclamou aos importantes da cidade as cem moedas de ouro prometidas como recompensa. Porém esses, liberados de seu problema e cegos por sua avareza, reclamaram:

– Saia de nossa cidade! Ou acaso acreditas que te pagaremos tanto ouro por tão pouca coisa como tocar a flauta?

E, dito isso, os honrados homens do Conselho de Hamelin deram-lhe as costas dando grandes gargalhadas.

Furioso pela avareza e ingratidão dos hamelineses, o flautista, da mesma forma que fizera no dia anterior, tocou uma doce melodia uma e outra vez, insistentemente.

Porém desta vez não eram os ratos que o seguiam, e sim as crianças da cidade que, arrebatadas por aquele som maravilhoso, iam atrás dos passos do estranho músico. De mãos dadas e sorridentes, formavam uma grande fileira, surda aos pedidos e gritos de seus pais que, em vão tentavam impedir que seguissem o flautista.

Nada conseguiram e o flautista as levou longe, muito longe, tão longe que ninguém poderia supor onde as crianças foram parar.

Todos ficaram muito desesperados e procuraram durante dias suas crianças, mas não encontraram nenhuma sequer. Então o flautista voltou à cidade e foi se encontrar com o Conselho que foram logo lhe pedindo:

– Por favor, flautista! Traga nossas crianças de volta! Prometemos pagar tudo o que devemos à você!

O flautista concordou com uma condição: nunca mais nenhum habitante de Hamelin iria descumprir uma promessa.

Todos concordaram e assim o flautista começou a tocar em sua flauta uma outra melodia. As crianças foram voltando aos poucos e logo estavam todas com seus papais e mamães!

O Conselho pagou o que devia ao flautista por livrar a cidade dos ratos e depois daquele dia nunca mais nenhuma pessoa em Hamelin descumpriu uma promessa!

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Pinóquio

Era uma vez um homem chamado Gepeto que fazia lindos bonecos de madeira. Vivia sozinho e o seu sonho era ter um filho com quem partilhar todo o seu amor e carinho.

Um dia, Gepeto fez um pequeno rapaz de madeira. Quando terminou, Gepeto suspirou: “Quem me dera que este rapazinho de madeira fosse real e pudesse viver aqui comigo…”.

De repente, aconteceu! O pequeno rapaz de madeira ganhou vida!

Gepeto gritou de alegria e, entre gargalhadas de felicidade, disse: “Sejas Bem vindo! Vou chamar-te Pinóquio”.

Gepeto ajudou Pinóquio a vestir-se, deu-lhe alguns livros, um beijo na face e mandou-o para a escola, para aprender a ler e escrever. Mas avisou-o: “Assim que a escola terminar, vem para casa Pinóquio”. Pinóquio respondeu que sim e, alegremente, foi caminhando em direção à escola.

Pelo caminho, Pinóquio reparou que na praça havia um espetáculo de marionetas. Juntou-se a elas e, dançou tão bem, que o dono das marionetas lhe ofereceu cinco moedas de ouro. Pinóquio estava maravilhado e só pensava como Gepeto iria ficar feliz quando lhe entregasse as moedas.

Já perto da escola, Pinóquio encontrou dois homens maus. Como era muito ingénuo, os dois homens convenceram Pinóquio a ir com eles até uma hospedaria para comerem e depois dormirem. Depois de comer, Pinóquio ficou sonolento e adormeceu facilmente. Sonhou que era rico e que ele e seu pai Gepeto viviam agora sem dificuldades e eram muito felizes.

Quando acordou, esses homens convenceram Pinóquio a enterrar as suas moedas de ouro num sítio que eles conheciam e disseram-lhe: “As moedas aqui enterradas transformar-se-ão numa árvore de dinheiro e nunca mais o teu pai, que já está velho e cansado, precisará de trabalhar!”.

Pinóquio assim fez e ficou à espera que as moedas de ouro se transformassem numa árvore de dinheiro. Esperou muito tempo até que, cansado, adormeceu. Os homens maus apareceram e levaram as moedas de ouro, enquanto Pinóquio dormia.

Quando acordou, Pinóquio viu que lhe tinham levado as moedas e chorou. Não queria voltar para casa com medo de que Gepeto ficasse zangado e triste com ele…

Sem saber o que fazer, Pinóquio começou a caminhar, até que encontrou uma senhora vestida de azul, a quem pediu ajuda. O que ele não sabia era que a senhora era a fada azul. A fada disse que o ajudaria e perguntou-lhe quem eram os seus pais e onde vivia. Ao que Pinóquio respondeu: “Não tenho casa nem ninguém com quem morar”. A fada azul apercebeu-se que Pinóquio mentia e o seu nariz começou a crescer!

A fada azul respondeu-lhe: “Volta para casa, para junto do teu pai. Sê um menino bem comportado e não mintas mais”. Pinóquio prometeu que assim faria e o seu nariz voltou ao tamanho normal.

De volta a casa, Pinóquio parou num parque de diversões e o seu nariz começou a crescer outra vez. No parque, disseram-lhe que poderia comer todos os gelados que ele quisesse… o que não lhe disseram é que os gelados o iriam transformar num burro!

Pinóquio comeu até não poder mais e, assim que se transformou num burro, foi vendido a um circo.

No circo foi obrigado a trabalhar duramente e foi tão maltratado que, pouco tempo depois, nem conseguia andar.

Como já não servia para trabalhar no circo, o dono mandou que o atirassem ao mar. Assim que caiu no mar, transformou-se novamente num rapaz de madeira.

Uma baleia que por ali passava viu Pinóquio e engoliu-o, pensando que era comida. Dentro da baleia, qual não foi a surpresa de Pinóquio ao encontrar Gepeto! Este tinha ido procurar Pinóquio e acabou por ir parar à barriga da baleia. Estava muito fraco e doente e, um peixe que também lá se encontrava disse: “Subam os dois para as minhas costas que eu levo-os para casa!”.

Assim fizeram e, quando chegaram a casa, Pinóquio tomou muito bem conta de Gepeto até ele ficar bom.

A fada azul apareceu outra vez e, ao ver que Pinóquio tinha sido tão bom com Gepeto, disse: “Como agora és um bom
menino vou-te transformar num rapaz de verdade”.

E assim foi. Gepeto tinha finalmente o filho que tanto desejara e os dois foram felizes para sempre!